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Recuperação de preço do petróleo deve enfrentar turbulência

Grant Smith

(Bloomberg) -- Na superfície, a recuperação do mercado de petróleo está firme e sinaliza o fim de dois anos de excesso de oferta e colapso dos preços. No entanto, um indicador fundamental alerta para turbulências à frente.

O rali do petróleo bruto estagnou em torno de US$ 50 por barril nos últimos 30 dias e o contango dos preços a um ano -- situação em que envios no curto prazo são mais baratos do que daqui a um ano -- quase dobrou. É um sinal de que a demanda das refinarias poderia estar enfraquecendo. Quando isso aconteceu no último verão boreal, uma frágil recuperação do petróleo deu lugar a uma nova queda.

"O mercado está em processo de reequilíbrio, mas o excesso ainda não foi eliminado", disse Amrita Sen, analista-chefe da consultoria Energy Aspects em Londres. "Sem dúvida, a situação será confusa e o mercado avançará muito em um sentido antes de se corrigir".

Da Arábia Saudita até a Agência Internacional da Energia, os maiores nomes do setor de petróleo concordam em que a pressão dos preços baixos finalmente está acabando com um excesso de produção global. Isso não significa que o mundo esteja avançando em trajetória constante para um ajuste da oferta e uma alta dos preços. De um trimestre para o outro, o mercado passará do excesso ao déficit devido a tendências sazonais na oferta e na demanda, segunda estimativas do Goldman Sachs Group.

Excesso de oferta

Os futuros do Brent para setembro, primeiro mês ativo na bolsa ICE Futures Europe, fecharam a US$ 46,25 na segunda-feira, US$ 5,64 a menos que os contratos para setembro de 2017, a maior diferença desde março e quase o dobro do nível registrado um mês atrás. O contango diminuía um pouco, para US$ 4,52, às 11h48 desta terça-feira, horário de Londres.

O contango se reduziu no primeiro semestre deste ano devido a interrupções na produção causadas por ataques contra oleodutos na Nigéria e incêndios no Canadá, disse Michael Cohen, analista do Barclays, em entrevista à Bloomberg TV. À medida que essas interrupções acabam e a perspectiva da demanda piora após o triunfo do chamado Brexit no Reino Unido, o foco do mercado se voltou para os níveis de estoque transbordantes, disse Cohen.

Apesar de terem recuado em oito das últimas nove semanas, os estoques de petróleo bruto nos EUA ainda totalizam 524 milhões de barris, mais de 100 milhões de barris acima da média a cinco anos.

Projeções

Apesar do novo contango, os analistas concordam em que o mercado continuará voltando ao equilíbrio no longo prazo. Basicamente, a demanda e a oferta estarão alinhadas em 2017 e acabarão com três anos de excesso de produção, segundo a AIE, assessora de países industrializados com sede em Paris.

Ainda há escopo para volatilidade nas projeções da IEA. Depois de uma pequena insuficiência no terceiro trimestre, virão um superávit no quarto, mais um período de excesso no primeiro semestre de 2017 e uma pequena acumulação de estoques no segundo.

"Não acreditamos que o mercado cairá de repente, mas tememos que as coisas não se ajustem tanto", disse Jan Stuart, economista global de energia da Credit Suisse Securities em Nova York. "Reequilíbrio, sim, mas de forma meio confusa".

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