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Wall Street analisa mais fatores globais para mercado de títulos

Eliza Ronalds-Hannon e Susanne Barton

(Bloomberg) -- Se você não se sair bem de primeira, revise e revise novamente.

Este se tornou o mantra dos analistas do mercado de títulos em Wall Street neste ano. Stephen Stanley sabe o quanto foi frustrante. O economista-chefe da Amherst Pierpont Securities reduziu cinco vezes sua projeção para os títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos, de 3,6 por cento para 2,2 por cento.

"Eu basicamente arranquei o que me restava de cabelo tentando entender os yields dos títulos neste ano", disse Stanley.

Ele não foi o único. Estrategistas que viram a taxa de desemprego dos EUA cair à metade desde a crise financeira começaram 2016 fixados nos dados sobre a economia doméstica e projetaram que os yields do Tesouro iriam aumentar. Se a inflação subiu em direção à meta do Federal Reserve, de 2 por cento, eles acharam que o banco central teria motivos para elevar as taxas de juros até quatro vezes neste ano, em linha com o guidance das autoridades na época.

Em vez disso, os estrategistas perceberam que não viram o quadro geral. Os yields despencaram em meio a uma enxurrada de surpresas econômicas e geopolíticas em todo o mundo que levou o Fed a cortar suas projeções para os juros duas vezes. Isso fez com que bancos como Deutsche Bank, JPMorgan Chase & Co. e Nomura Holdings modificassem suas projeções diversas vezes -- e mal se chegou à metade do ano.

"Não só o ambiente mundial está colidindo diretamente com o modo que o mercado se comportou, mas parece que também ganhou mais importância para o Fed", disse Stanley. "O Fed está sendo muito mais paciente do que eu achei que ele seria".

Forças globais

A nota do Tesouro dos EUA com vencimento em dez anos tinha um yield de 2,27 por cento em 31 de dezembro. Naquele mês, a mediana das projeções dos analistas previa que o yield subiria para 2,78 por cento por volta do fim de 2016.

A nota apresentava yield de 1,48 por cento às 9 horas da terça-feira em Nova York, de acordo com dados da Bloomberg Bond Trader, após registrar mínima recorde de 1,36 por cento no fechamento em 8 de julho. A mediana das projeções de 74 economistas consultados pela Bloomberg agora prevê que os yields cheguem a 2,10 por cento até o final do ano.

Para os pessimistas com os títulos em 2016, deu tudo errado. Os mercados acionários oscilaram neste ano porque as commodities despencaram devido ao temor de que a desaceleração econômica da China restringisse o crescimento mundial. Bancos centrais da Europa e do Japão adotaram juros negativos e expandiram programas de compra de títulos na tentativa de estimular a inflação. A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia alimentou a busca por ativos de refúgio que derrubou os yields das dívidas soberanas internacionais a mínimas recorde. Isso aumentou o apelo comparativo dos títulos do Tesouro dos EUA e tornou mais difícil para o Fed ajustar a política econômica apesar dos dados econômicos estimulantes no país.

"As decisões tomadas pelos bancos centrais tiveram uma influência sobre os títulos do Tesouro com vencimento mais longo maior do que esperávamos", disse Alex Roever, diretor de estratégia de taxas dos EUA em Nova York da JPMorgan Securities. "Muitas das conversas que temos agora estão condicionadas ao que está acontecendo com os mercados cambiais e bancos centrais. Há três ou quatro anos, prestávamos atenção ao que acontecia internacionalmente, mas a conversa era muito mais enfocada no âmbito nacional".

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