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China exige de bancos mais controle de risco com alta de calotes

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Com a disparada das dívidas em atraso, a autoridade reguladora do setor bancário da China exigiu que os bancos intensifiquem os controles de risco e protejam a estabilidade financeira.

A parcela de obrigações em atraso chegou a 1,81 por cento do total de financiamentos em 30 de junho, comparado a 1,75 por cento três meses antes, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Reguladora de Bancos da China. Embora tenha afirmado que os níveis de provisão e adequação de capital no setor bancário ainda são "relativamente suficientes", a comissão pediu que as instituições fortaleçam o capital para melhorar a gestão de risco e a capacidade de absorver perdas.

As instituições financeiras chinesas se deparam com uma montanha cada vez maior de créditos de recebimento duvidoso, após anos inundando o sistema com crédito barato para estimular o crescimento econômico. Há relatos de que o dado oficial de 1,39 trilhão de yuans (US$ 208 bilhões) em março subestima o tamanho do problema. A CLSA Ltd. calculou o montante de empréstimos em atraso em 11,4 trilhões de yuans no fim do ano passado.

A taxa de cobertura de empréstimos de recebimento duvidoso, que mede a capacidade dos bancos de absorver potenciais perdas, piorou de 175 por cento em março para 161 por cento, segundo o comunicado da autoridade reguladora, sinalizando que os lucros futuros serão prejudicados pela necessidade de aumentar as reservas. O nível mínimo exigido é 150 por cento.

Recapitalização em vista

Nove entre 15 instituições que participaram de uma pesquisa da Bloomberg no fim do mês passado, incluindo Standard Chartered Plc e Commonwealth Bank of Australia, acreditam que o governo chinês precisará empreender uma recapitalização dos bancos dentro de dois anos. Entre os que estimaram o custo do pacote, a maioria afirma que passará de US$ 500 bilhões.

A comissão reguladora recomendou que os bancos se concentrem na redução de riscos associados a liquidez, cruzamento de produtos financeiros, conformidade nas operações no exterior e captação ilícita de recursos junto ao público. A autoridade avisou que iniciará uma grande campanha de escrutínio das práticas de gestão de risco das instituições.

Entre os esforços para lidar com o aumento dos calotes, a autoridade afirmou, sem mais detalhes, que procura expandir o programa que permite aos bancos emitir instrumentos que têm como colateral os créditos de recebimento duvidoso. O Bank of China Ltd. está entre as instituições que já participam do programa.

O governo aprovou, para os maiores bancos, uma cota inicial de 50 bilhões de yuans para instrumentos dessa modalidade de securitização, de acordo com informações relatadas em fevereiro por pessoas com conhecimento da situação.

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