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Gestor faz alerta sobre otimismo com ações de mercado emergente

Maria Levitov

(Bloomberg) -- Os investidores em ações que estão entrando na alta dos mercados emergentes pós-Brexit estão subestimando os perigos da desaceleração do crescimento econômico e da turbulência política mundial.

Essa é a perspectiva de Gary Greenberg, gestor de recursos que obteve resultados melhores que 97 por cento de seus pares nos últimos 12 meses, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Os investidores contagiados por um otimismo cego estão ignorando riscos como o enfraquecimento da demanda chinesa, a fragilidade do preço do petróleo e as possíveis consequências da decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia, disse ele.

É por isso que ele está mantendo uma carteira "mais defensiva" em meio à recuperação que elevou a maioria dos mercados de ações desde o referendo do Brexit. Em um ambiente de riscos políticos cada vez maiores, o modo mais seguro de obter retornos contínuos é investir de forma seletiva em empresas que têm uma vantagem competitiva em relação às outras, que pagam dividendos regulares e que têm um histórico de crescimento mesmo em momentos de turbulência econômica, disse ele.

"É mais o peso do dinheiro" que está impulsionando a recuperação, disse Greenberg, que administra o Hermes Global Emerging Markets Fund, de US$ 1 bilhão, em uma entrevista em seu escritório em Londres. "Não acho que estejamos fora de perigo. Temos uma economia global muito modesta e nos mercados emergentes não há muita aceleração. Não vimos as estimativas de lucros se tornarem positivas".

Desempenho pós-Brexit

Essa estratégia o ajudou a superar nove de 10 gestores de fundo rivais nos últimos 30 dias, quando o S&P 500 Index atingiu altas recorde, a perspectiva de continuidade do estímulo do banco central nas maiores economias do mundo provocou a queda dos yields dos títulos e as moedas de mercado emergente, do Brasil à África do Sul, se valorizaram.

Embora prefira mercados como a Índia, onde reformas econômicas podem respaldar ganhos das ações, Greenberg também identificou empresas na Rússia e no Brasil que têm mais condições de suportar as retrações econômicas. No entanto, o "ciclo mágico" ainda não voltou para a maioria dos países em desenvolvimento, disse ele.

Entre os ativos do fundo de Greenberg, que também teve um desempenho superior ao da maioria dos fundos similares nos últimos cinco anos, estão as seguintes ações:

Sberbank

A resiliência dos lucros no maior banco da Rússia convenceu Greenberg a ignorar o segundo ano de contração da economia russa e a comprar essas ações neste ano. Os resultados do primeiro semestre mostram que ele fez a aposta certa, porque a receita líquida do banco aumentou 63 por cento conforme os padrões contábeis russos. Esse crescimento mostrou que o banco "conseguiu suportar a recessão supreendentemente bem" e foi acompanhado por uma provisão adequada para os créditos duvidosos, disse ele.

Banco Macro

Greenberg gosta do banco argentino porque o país está "começando a se recuperar da má administração" e os bancos estão bem posicionados para financiar essa renovação.

Land Mark Optoelectronics

Algumas das apostas de Greenberg se baseiam na ideia de que as oportunidades de lucro nos mercados emergentes vão passar para as empresas que dominam novas tecnologias, em detrimento das que competem com baixos custos de mão de obra. A Land Mark Optoelectronics, fabricante taiwanesa de diodos para a transmissão de dados através da luz, tem conhecimento tecnológico que rivaliza com concorrentes, de acordo com Greenberg, que comprou a ação "há mais de um mês".

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