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BCE pode seguir exemplo do BOE e adiar mais estímulos

Paul Gordon e Andre Tartar

(Bloomberg) -- Assim como Mark Carney, Mario Draghi pode se dar ao luxo de esperar um pouco para adicionar mais estímulos monetários.

Economistas em uma pesquisa da Bloomberg projetam que o presidente do Banco Central Europeu manterá a política inalterada na quinta-feira, mas que anunciará novas medidas antes do fim do ano. A reunião será realizada uma semana depois que o Banco da Inglaterra (BOE, na sigla em inglês), comandado por Carney, optou por não reduzir as taxas imediatamente após a decisão do Reino Unido, em referendo, de sair da União Europeia e insinuou que provavelmente irá promover flexibilização em agosto.

Nas três semanas que passaram desde o referendo do Reino Unido, os bancos centrais da Europa acalmaram mercados voláteis com promessas de liquidez que lhes deram tempo para avaliar a ameaça para empresas e famílias. Draghi projetou que o crescimento na zona do euro vai desacelerar, o que alimentou a especulação sobre o quanto ele pode continuar com um pacote de estímulo que já inclui taxas de juros negativas e um programa de compras de ativos de 1,7 trilhão de euros (US$ 1,9 trilhão).

"O BCE ainda está muito inclinado a flexibilizar e admitiu que o choque provocado pelo Brexit poderia reduzir meio ponto percentual cumulativo do crescimento da zona do euro nos próximos três anos", disse Alan McQuaid, economista-chefe da Merrion Capital em Dublin. "O banco fará o que for preciso para impulsionar o crescimento e elevar a inflação, mas, como acontece na maioria dos países, a responsabilidade final de dar o remédio necessário para uma recuperação constante cabe à política fiscal".

Sem o 'luxo' do tempo

O BOE ofereceu mais liquidez e reduziu uma reserva de capital exigida aos bancos. Contudo, a maioria dos membros do Comitê de Política Monetária (MPC, na sigla em inglês) espera flexibilizar no dia 4 de agosto, quando novas projeções econômicas serão publicadas. O economista-chefe Andy Haldane disse na sexta-feira que eles não têm o "luxo" do tempo e Gertjan Vlieghe, a única pessoa no MPC que votou por diminuir as taxas na última reunião, disse no domingo ao Financial Times que é necessário realizar uma série de medidas. Martin Weale disse nesta segunda-feira que ele ainda não decidiu como vai votar.

Talvez o BCE também não tenha decidido. O banco está guiando a zona do euro, de 19 países, em uma frágil recuperação cíclica que poderia descarrilar se a incerteza política causada pelo Reino Unido restringir o comércio e o investimento regional. Sessenta por cento dos economistas na pesquisa da Bloomberg disseram que o Conselho do BCE aprovará novas medidas na reunião do dia 8 de setembro, quando a instituição também publicará projeções econômicas atualizadas.

Entre os que projetaram mais estímulos, 97 por cento disse que o banco central prolongará o programa de compras de títulos além da data atualmente marcada para o final, março de 2017. Pouco menos de 40 por cento disse que o banco reduzirá a taxa de depósito, que hoje é de -0,4 por cento. Menos de 20 por cento projeta uma expansão nas aquisições da flexibilização quantitativa (QE, na sigla em inglês) acima da taxa atual de 80 bilhões de euros por mês.

"O BCE está perto do limite", disse Philippe de Gudin, economista-chefe do Barclays para a Europa em Paris. "Como a economia desacelera por causa do impacto do Brexit na credibilidade do projeto europeu, acreditamos que acabará sendo necessário utilizar outras políticas, como a fiscal, onde for possível e aprofundar a integração da zona do euro".

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