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UE estuda opções para pressionar saída do Reino Unido, dizem fontes

John Follain, Eleni Chrepa e Patrick Donahue

(Bloomberg) -- Há quem deseje na Europa que Theresa May saiba que paciência tem limites.

Como a nova primeira-ministra do Reino Unido adia as negociações para abandonar a União Europeia, as autoridades do continente começaram a pensar na chamada 'opção nuclear' para obrigá-la a negociar: suspender os direitos de voto do Reino Unido nas instituições da UE.

Vários países-membros começaram a analisar a viabilidade dessa opção invocando o Artigo 7° do Tratado de Lisboa, segundo duas fontes que falaram sob condição de anonimato. Isso acarretaria afirmar que o Reino Unido já não está cooperando mais de boa-fé com o bloco para pressionar May para que acabe com o limbo após o referendo. O procedimento mais duro de sanção da UE nunca foi aplicado antes e três outras fontes em Bruxelas disseram que era duro demais até mesmo para ser considerado.

Apesar May ter tomado posse na quarta-feira prometendo que "Brexit significa Brexit", seu governo já está dando sinais ambíguos sobre quanto tempo isso poderia levar. O secretário de Comércio, Liam Fox, trabalha com a hipótese de que o período de negociação de dois anos poderia começar por volta do fim do ano, porém May disse na sexta-feira que ela não iniciará o processo de desfiliação da UE enquanto não tiver o apoio da Escócia. Como a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, mantém a postura inflexível de que seu país não abandonará a UE de jeito nenhum, essa promessa abre a perspectiva de extensas demoras.

Determinação

Os governos da UE estão determinados a impedir que as convulsões políticas autoinfligidas pelo Reino Unido frustrem seus outros objetivos, sendo que eles já têm que lidar com um crescimento opaco, uma disparada da imigração e movimentos populistas próprios.

O ministro de Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, instou nesta segunda-feira o Reino Unido a iniciar as negociações formais assim que possível para diminuir a incerteza em relação à situação do Reino Unido. "Quanto antes as negociações começarem, melhor", disse Ayrault aos repórteres em Bruxelas.

A decisão de quando ativar o mecanismo de saída da UE é uma das poucas cartas que os negociadores britânicos têm para jogar enquanto tentam garantir o acesso ao mercado único da UE sem ceder os controles imigratórios exigidos pelos votantes. Se o tempo esgotar antes de eles obterem concessões dos outros 27 países, o Reino Unido perderá seus privilégios comerciais com a UE, com consequências potencialmente graves para fabricantes e Londres como centro financeiro.

Os governos da UE não teriam problema em deixar o processo se prolongar se as negociações fossem adiadas porque os eleitores britânicos estavam começando a apoiar menos o Brexit, disse umas das fontes que levantou a perspectiva do Artigo 7°. Caso fosse considerado como tática de negociação, ele poderia suscitar uma reação.

Mesmo assim, suspender de fato os direitos de voto do Reino Unido seria uma medida agressiva e seus proponentes poderiam ter dificuldades em conseguir suficiente apoio. Vinte e três países-membros teriam que concordar que May estaria faltando ao dever de cooperar de boa-fé com o restante do bloco e a Letônia, por exemplo, não acha a abordagem punitiva "razoável", disse por e-mail na sexta-feira Martin Dregeris, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país báltico.

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