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ETFs de beta inteligente ocultam características para usuários

Dani Burger

(Bloomberg) -- Um dos nacos mais apetitosos da indústria de fundos negociados em bolsa, os ETFs, que movimentam US$ 2,3 trilhões, tem uma característica de baixa visibilidade para seus usuários.

Gigantes como BlackRock Inc. e Invesco Ltd. juntaram bilhões em ativos com a venda dos chamados ETFs de beta inteligente. Usando modelos de computador em vez do julgamento humano para visar estratégias como crescimento ou baixa volatilidade, o objetivo desses instrumentos é combinar o que há de melhor em táticas passivas e ativas. Esse atrativo ajudou a aumentar o total aplicado em ETFs em quase US$ 30 bilhões neste ano.

Apesar de tanta popularidade, há uma inconveniência que até os investidores mais sofisticados podem estar ignorando.

Nos fundos mútuos, quando um gestor voltado para valor se afasta de seu mandato e acaba com muitas ações de preço alto de empresas voltadas para crescimento, ele é acusado de distanciamento do estilo. Os algoritmos que escolhem ações de beta inteligente são espertos demais para isso, mas o perigo é outro. Fundos voltados para uma estratégia começam a ser influenciados por outra. Um exemplo é uma carteira de baixa volatilidade que acaba absorvendo ações caracterizadas por impulso.

"Você pode usar beta inteligente para implantar o investimento em fatores, mas é preciso ter muito cuidado", disse David Blitz, responsável por pesquisa quantitativa de renda variável da Robeco Asset Management, que em abril publicou um estudo sobre as complexidades dos índices de beta inteligente em estratégias puras de investimento em fatores. "Você acaba com algo muito diferente do que tinha em mente."

Nos últimos 10 anos, a exposição indesejada causou variação de até 80 por cento no retorno anualizado de ETFs de beta inteligente ligados a ações que pagam dividendos, segundo estudo da Northern Trust Corp. Essa preocupação foi grande o bastante para a instituição sediada em Chicago desenvolver um sistema de notas para verificar o quanto os fundos de fato acompanham seu objetivo.

Ninguém está culpando os provedores de fundos nem dizendo que estão tentando enganar investidores. Essencialmente, é uma questão matemática e de dificuldade de isolar características individuais (os chamados fatores) em cestas de ações. O grau de importância disso depende do interlocutor. A Northern Trust promove ETFs elaborados para excluir impurezas, enquanto a BlackRock afirma que as pessoas que utilizarem seus produtos corretamente não serão lesadas.

"Isso não altera as características de redução de riscos no nível da carteira", disse Robert Nestor, responsável por estratégias de beta inteligente para renda fixa e variável nos EUA da franquia iShares, da BlackRock. O ETF de volatilidade mínima da instituição "foi elaborado para entregar taxas de retorno de mercado com 15 a 20 por cento menos risco e é exatamente isso o que fez desde sua introdução."

ETFs de baixa volatilidade têm sido uma mina de ouro para as franquias PowerShares, da Invesco, e iShares, da BlackRock, absorvendo a maior parte dos fluxos de capital para beta inteligente em 2016. O comprador talvez pense estar comprando um fundo negociado em bolsa com ações que não flutuam demais. Quase sempre é o que ocorre. Mas a ferramenta de análise de carteiras da Bloomberg mostra que os ETFs de baixa volatilidade também podem se alinhar a ações com os maiores múltiplos ou impulso de preços.

Não é uma questão irrelevante. À medida que o público abraça estratégias passivas de investimento, gestoras de fundos usam beta inteligente para oferecer uma variedade de ETFs focados em características específicas. Atualmente, um a cada cinco ETFs listados nos EUA utiliza beta inteligente e mais de US$ 400 bilhões estão vinculados a essas estratégias.

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