Títulos alemães disponíveis para compra por BCE vai se esgotando

Anooja Debnath

(Bloomberg) -- Em poucos meses, o Banco Central Europeu terá dificuldades para encontrar títulos alemães elegíveis para seu programa de compra de títulos, de acordo com duas instituições da região.

Mais de 60 por cento dos títulos públicos alemães rendem menos do que a taxa de depósito do BCE, de menos 0,4 por cento, com base no índice Bloomberg para os títulos da Alemanha, que abrange US$ 1,13 trilhão. Isso significa que os papéis não são elegíveis para compra. Analistas do UBS Group AG e do SEB AB calculam que a autoridade monetária ficará sem alvos de compra da Alemanha dentro de seis meses e talvez até em agosto, a menos que as regras sejam expandidas.

A chegada a esse limite afetaria uma variedade de investidores porque uma eventual decisão pela abertura do programa de estímulo quantitativo (QE) a novos grupos de títulos daria ainda mais suporte aos preços, ajudando a estender os ganhos do ano passado. O limite também é significativo porque a dívida alemã é a principal referência para a Europa e precisa ser comprada em proporção maior do que os papéis de outras nações europeias incluídas no programa, sob as regras atuais.

Dívidas da zona do euro proporcionaram ganhos superiores a 5 por cento neste ano. As taxas de rendimento atingiram os menores níveis históricos nas últimas semanas, devido à busca por segurança depois que o eleitorado britânico votou pela saída da União Europeia em 23 de junho, abalando os mercados e renovando preocupações com as perspectivas de crescimento da economia global.

Disponibilidade

Os rendimentos já estavam deprimidos pelos 80 bilhões de euros (US$ 89 bilhões) em compras mensais de ativos pelo banco central. Esse programa, previsto para durar pelo menos até março de 2017, também diminuiu a quantidade de dívida soberana disponível para investidores privados.

"Com base nos atuais níveis de rendimento, estimamos que o BCE poderá atingir o limite de emissor para toda a dívida alemã nos próximos seis meses", afirmou Nishay Patel, estrategista de renda fixa do UBS em Londres. Esse limite poderá até mesmo chegar em "cerca de um ou dois meses".

O rendimento da dívida do governo alemão com vencimento em 10 anos atingiu o menor nível histórico de menos 0,205 por cento em 6 de julho. Aproximadamente 84 por cento da dívida pública do país, inclusive com prazos de até 10 anos, paga rendimento abaixo de zero. Isso significa que os investidores que comprarem os papéis agora e ficarem com os mesmos até o vencimento vão receber menos do que pagaram por eles.

Em pesquisa realizada pela Bloomberg após o Brexit, os economistas reduziram as previsões para o rendimento dos Bunds com prazo de 10 anos para zero no fim deste ano, comparado a 0,5 por cento na pesquisa realizada em junho, antes do referendo.

Programa flexível

Respondendo a uma pergunta no mês passado sobre se o programa de compra de ativos enfrentava obstáculos, o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que as autoridades enxergavam "ampla liquidez". Ele declarou que o programa "continua avançando suavemente" e tem "flexibilidade" suficiente para lidar com eventuais limites que surgirem.

Um corte da taxa de depósito apenas para aumentar a quantia de títulos elegíveis é improvável, na opinião de Patel, do UBS.

Uma opção mais plausível é a retirada da regra de piso da taxa de depósito, que permitiria ao BCE comprar títulos com rendimento inferior a menos 0,4 por cento. Isso "aumentaria dramaticamente" a quantia de títulos alemães e as "compras de títulos alemães poderiam durar mais 11 meses aproximadamente", disse Patel.

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