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BOJ deveria acabar com 'duas grandes mentiras', diz ex-diretor

Toru Fujioka e Masahiro Hidaka

(Bloomberg) -- O Banco do Japão deveria ampliar os estímulos em sua reunião de política monetária da semana que vem e usar a oportunidade para corrigir "duas grandes mentiras" sobre política monetária, disse um ex-diretor-executivo do banco central japonês, conhecido pela sigla BOJ, em entrevista.

"É um grande problema que o BOJ continue sustentando duas grandes mentiras", disse Hideo Hayakawa, em referência aos comunicados sobre o espaço ilimitado para política monetária e o cumprimento da meta de inflação, que teve o prazo adiado várias vezes. O BOJ deveria se desfazer de suas referências para atingir 2 por cento dentro de cerca de dois anos e, além disso, admitir que terá que começar a reduzir as aquisições de títulos, disse ele.

O presidente do BOJ, Haruhiko Kuroda, disse no mês passado que manter um prazo é importante para mostrar o forte compromisso do BOJ em atingir a meta de preço em breve. Em abril ele havia reafirmado seu entendimento de que a política monetária não enfrenta limites. O banco central preferiu não comentar as declarações de Hayakawa.

O BOJ adiou diversas vezes o momento em que, segundo sua projeção, a inflação atingirá a meta. Os preços vêm caindo desde março no Japão, com poucos sinais de melhora. Com o BOJ já comprando o equivalente a mais de 90 por cento das dívidas recentemente emitidas do país a cada ano, muitos economistas dizem que há limites físicos para a quantidade de títulos que o banco central é capaz de comprar.

"Acredito que chegar aos 2 por cento é algo muito irrealista", disse Derek Halpenny, chefe de pesquisa de mercados globais europeus do Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ em Londres, à Bloomberg TV. "Será mentira? Acho que talvez seja um fracasso".

Balanço

Os analistas do Goldman Sachs e do JPMorgan estão entre os muitos que preveem uma flexibilização adicional no final deste mês. As aquisições de títulos do BOJ fizeram seu balanço aumentar para mais de 80 por cento do produto interno bruto do Japão, fatia muito maior do que o equivalente a 25 por cento nos EUA.

"Não há forma de os mercados confiarem no BOJ se ele continuar otimista", disse Hayakawa, que se aposentou em 2013, em entrevista, na terça-feira. "Todos sabem que a inflação de 2 por cento não se concretizará em um futuro próximo e que existe um limite para as ferramentas de flexibilização, por isso não acredito que o reconhecimento desses fatos causará um grande impacto".

Contudo, a mudança desses compromissos será vista como um "recuo" se não vier acompanhada de estímulos adicionais, disse Hayakawa. Entre as opções de flexibilização estão a expansão das compras de fundos negociados em bolsa, um corte maior da taxa de juros negativa aplicada a alguns recursos parados no BOJ e até mesmo a oferta de juros negativos em um programa de apoio aos empréstimos, disse Hayakawa.

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