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Chance de rendimento de Treasuries atingir 1,1% é inferior a 1%

Liz Capo McCormick

(Bloomberg) -- O mercado de renda fixa dos EUA tem se mostrado um campo minado para todos os que tentaram projetar um piso para os rendimentos dos títulos.

Repetidamente, os especialistas em prognósticos de Wall Street são obrigados a refazer os cálculos. A demanda insaciável por títulos do Tesouro americano desafia a compreensão deles, produzindo taxas cada vez menores.

O Société Générale SA agora tenta uma nova abordagem para tentar chegar à fórmula certa. A equipe de renda fixa da instituição alterou um tradicional modelo macroeconômico, incorporando dados de preços de títulos da Europa, do Japão e do Reino Unido por duas décadas.

A partir do novo modelo e de normas estatísticas, a chance de o rendimento do título do Tesouro americano com prazo de 10 anos cair para menos de 1,1% é inferior a 1%, particularmente com o banco central (Federal Reserve) ainda disposto a elevar a taxa básica de juros.

"Foi necessária uma reversão para uma abordagem baseada em modelo para entender o quanto o rendimento pode recuar após ter rompido a barreira de 1,4%", disse Subadra Rajappa, responsável por estratégia de juros nos EUA do SocGen. A instituição duvidava que esse cenário se concretizasse, a menos que o Fed mudasse totalmente de direção. A nosso ver, "ainda não faz sentido o Fed mudar sua postura de aperto para manutenção ou afrouxamento".

De acordo com o SocGen, o novo modelo implica "valor justo" de 1,95% para o rendimento do título com prazo de 10 anos, o que sugere que os papéis continuam extremamente sobrevalorizados mesmo após o tombo das cotações na semana passada. Hoje, o rendimento chegou a 1,59%, após atingir o menor nível histórico de 1,318% em 6 de julho.

O modelo original do SocGen implicava valor justo de 2,85% -- patamar observado pela última vez no início de 2014 --, refletindo a extensão da falta de entendimento do mercado atualmente. A equipe de renda fixa do JPMorgan Chase & Co. também ajustou seu modelo para incorporar as expectativas de política monetária fora dos EUA.

Não surpreende que as instituições financeiras estejam buscando novos métodos. No início do ano, estrategistas sondados pela Bloomberg calculavam que o rendimento da Treasury de 10 anos terminaria 2016 em 2,75%o. Atualmente, a previsão mediana é mais de 1 ponto percentual mais baixa.

'Psicose coletiva'

Sejam quais forem as razões - que incluem o crescimento lento da economia mundial, juros negativos fora dos EUA e a decisão surpreendente do eleitorado britânico de sair da União Europeia --, os ganhos das Treasuries e de outros ativos considerados seguros confundem até mesmo os grandes especialistas do mercado.

Jeffrey Gundlach, que supervisiona mais de US$ 100 bilhões na DoubleLine Capital, alertou sobre uma "psicose coletiva" entre investidores que compram títulos de dívida de rendimento extraordinariamente baixo. Bill Gross, da Janus Capital Group Inc., comparou os preços estratosféricos do mercado global de títulos a uma "supernova que vai explodir algum dia".

Em todo o mundo, os preços dos títulos caminham para encerrar o ano com a maior valorização desde pelo menos 1997, de acordo com dados compilados pelo Bank of America Corp.

Os rendimentos de quase US$ 10 trilhões em títulos soberanos caíram para abaixo de zero. Os títulos do Tesouro dos EUA deram retorno de 5,5%, o maior ganho desde 2010, usando a referência de variação acumulada no ano.

Pelo menos uma grande instituição financeira ainda enxerga espaço para mais ganhos. O Morgan Stanley, que havia projetado a valorização dos títulos do Tesouro americano neste ano, estima que o rendimento do papel de 10 anos cairá para 1 por cento no primeiro trimestre de 2017, puxado por dados decepcionantes de crescimento econômico.

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