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Compre, espere, não vale o risco. Falta consenso sobre a Turquia

Elena Popina

(Bloomberg) -- A BlackRock diz "vai fundo". O Deutsche Bank recomenda esperar pra ver. O Wells Fargo opina que não vale o risco.

O levante militar fracassado que sacudiu os mercados turcos gerou uma avalanche de análises dos investidores globais, mas pouco consenso.

Em meio à queda da moeda, dos títulos e das ações do país -- e um rápido aumento da volatilidade -- após a tentativa de golpe de Estado, reunimos alguns dos argumentos.

Argumentos para o pessimismo:

1. Geopolítica nebulosa: Wells Fargo

A tentativa de golpe de Estado liderada por uma facção do exército da Turquia, em 15 de julho, testou as relações do país com seus aliados ocidentais na luta contra os extremistas do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

A repressão promovida pelo presidente Recep Tayyip Erdogan após o levante gerou preocupação em relação ao posto mantido há tempos pelo país na Organização do Tratado do Atlântico Norte e à qualificação de uma eventual adesão à União Europeia.

"Há muita incerteza política a longo prazo e as avaliações baixas não valem o risco", disse o gerente de recursos Derrick Irwin, que ajuda a administrar US$ 6 bilhões na Wells Capital Management em Boston e está underweight em ações turcas."Não estamos comprando nesse estágio e alguns ativos estão sob análise para venda".

2. Choque econômico: Credit Suisse

Alexander Redman, do Credit Suisse, que no mês passado reiterou uma posição 20% overweight em ações turcas, nesta semana as rebaixou para neutras em meio ao temor em relação à inflação mais alta e à desvalorização da lira.

Redman, de Londres, agora projeta um ganho de 8 por cento das ações do país até o fim de 2016 e classificou a tentativa de golpe como um "choque de confiança importante o suficiente para reduzir a perspectiva para o PIB".

Argumentos para o otimismo:

1. Oportunidade de compra a curto prazo: BlackRock

Os riscos políticos e econômicos na Turquia continuarão a longo prazo, mas a queda forte da lira e a ampliação dos diferenciais de rendimento em relação aos títulos do Tesouro dos EUA nesta semana criarão uma oportunidade de compra, segundo os gestores de recursos da BlackRock Pablo Goldberg, de Nova York, e Sergio Trigo Paz, de Londres, que ajudam a administrar mais de US$ 13 bilhões em dívidas de mercados emergentes.

O país "seguirá o modelo da Rússia de estabilização política e econômica" após as incertezas geopolíticas, disseram eles, em nota.

2. Oportunidade a médio prazo: Bank of America

A dívida turca pode ser uma oportunidade de compra, segundo David Hauner, do Bank of America, mas não já. O diferencial em relação aos títulos do Tesouro dos EUA aumentará 50 pontos-base no caso dos títulos do país em moeda forte e duplicará no caso dos instrumentos em moeda local nos próximos dois ou três meses, disse Hauner.

Os ativos poderão cair em antecipação à revisão da Moody's Investors Service à classificação de crédito do país para um possível rebaixamento, criando uma oportunidade de compra, disse ele. Os ativos podem começar a se recuperar perto de outubro, disse ele.

Esperar para ver:

A agitação criou um choque temporário que não provocará impactos macroeconômicos, disseram analistas do Deutsche Bank, incluindo Kubilay Ozturk, de Londres, em nota a clientes. Eles preveem fragilidade da lira, mas dizem que é difícil projetar a extensão da queda. Eles se mantêm positivos em relação aos títulos turcos.

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