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Cresce temor por sustentabilidade de políticas no BC do Japão, dizem fontes

Toru Fujioka e Masahiro Hidaka

(Bloomberg) -- Cada vez mais integrantes da cúpula do Banco do Japão estão preocupados com a sustentabilidade da estrutura atual dos massivos estímulos monetários promovidos pela autoridade monetária, segundo pessoas familiarizadas com as discussões.

Alguns integrantes e ex-integrantes do BOJ, incluindo Takahide Kiuchi, membro dissidente do conselho, expressam publicamente há algum tempo que a escala sem precedentes de aquisições de títulos pelo banco central e o prazo para cumprimento da meta de inflação de 2% são problemáticos.

Agora, há uma sensação crescente dentro do BOJ de que o banco central precisa ponderar com mais cuidado os custos e os benefícios das medidas de política monetária, segundo essas pessoas, que pediram anonimato porque as discussões são privadas.

Nenhuma dessas pessoas falou sobre o que o BOJ poderá decidir em 29 de julho e ninguém comentou as opiniões do presidente do banco central, Haruhiko Kuroda, que controla a política monetária desde março de 2013, quando assumiu o comando da instituição.

Devido aos múltiplos descumprimentos da meta para os preços pelo BOJ, observadores de fora do banco central o exortaram a reconsiderar sua meta de atingir os 2% "o quanto antes" dentro de um período de cerca de dois anos.

Participantes do mercado de títulos reclamam há tempos que as aquisições de dívidas soberanas pelo BOJ minam as condições de negociação -- críticas sobre as quais a cúpula do banco está bastante consciente. E o setor bancário tem manifestado suas queixas em relação à adoção de taxas de juros negativas.

Rendimentos de títulos

Entre os temores de alguns integrantes do banco central estão a dúvida sobre se a redução dos rendimentos dos títulos em relação a níveis que já representam mínimas recorde estimularão a economia e se a intensificação das aquisições de títulos encurtaria a vida do programa atual.

A especulação a respeito de alguma mudança na flexibilização do BOJ surgiu na semana passada, quando o ex-presidente do Federal Reserve, Ben S. Bernanke, se reuniu com os principais responsáveis pela política monetária no Japão, entre eles Kuroda.

Bernanke, famoso por defender uma coordenação fiscal e monetária, debateu no início do ano, em uma postagem de blog, a ideia do "dinheiro de helicóptero", na qual um banco central efetivamente respalda o governo.

A maioria dos analistas antecipa que o BOJ ampliará seus estímulos de alguma forma na reunião da semana que vem, em 28 e 29 de julho, por meio da intensificação da compra de títulos, com mais aquisições de ativos de maior risco (como fundos negociados em bolsa) ou ainda com um novo corte nos juros.

Nenhuma das pessoas familiarizadas com as conversas estava preparada para comentar sobre quais poderiam ser os resultados de alguma reformulação da estrutura adotada pelo BOJ ou quando uma medida do tipo pode ser tomada.

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