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Cúpula do Fed pede ajuda na batalha para estimular economia

Christopher Condon

(Bloomberg) -- O Federal Reserve não pode fazer tudo sozinho.

Durante oito anos, a instituição pisou no acelerador -- reduzindo taxas, comprando títulos e declarando sua total determinação de reanimar um crescimento agonizante. Isso ajudou a curar as cicatrizes da Grande Recessão, isto é, reduziu o desemprego de um pico de 10 por cento para menos de 5 por cento.

Mas a recuperação do emprego provavelmente está se aproximando do fim. É improvável que os EUA continuem somando 200.000 empregos por mês como nos últimos cinco anos e o crescimento continua atolado em pouco mais de 2 por cento. É possível até que este percentual caia quando a inatividade restante no mercado de trabalho desaparecer e o Fed for obrigado a aplicar uma política de aperto para evitar a disparada da inflação.

Isso está levando as autoridades a chamarem mais a atenção para o que está sufocando a perspectiva de crescimento dos EUA. Não se trata de uma simples ressaca da crise financeira e da recessão que veio na sequência. Trata-se de algo muito mais profundo, decorrente de tendências negativas na demografia, na produtividade e em outros fatores de longo prazo. E quando a questão é recuperar essas forças, a política monetária tem muito pouco a oferecer.

"Falou-se muito em estímulo nos últimos anos", disse James Bullard, presidente do Federal Reserve de St. Louis, a jornalistas, em 12 de julho. "Estímulo é algo que se faz para tentar suavizar as coisas durante alguns trimestres, e não é assim que precisamos pensar a economia dos EUA", disse ele. "Precisamos muito de uma agenda de crescimento".

Bullard não está sozinho. Cada vez mais autoridades de política monetária dos EUA deixam claro com maior frequência e urgência que precisam de ajuda dos parlamentares eleitos. Em junho, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse ao Comitê Bancário do Senado que a política fiscal "não havia desempenhado um papel de apoio".

Então o que é que a política monetária não pode consertar?

Demografia

Os americanos, como o restante do mundo desenvolvido, estão envelhecendo. Isso significa que há menos trabalhadores enquanto porcentagem da população total. Além da pressão sobre os orçamentos da previdência social, o fenômeno reduz a taxa de crescimento potencial da economia. Nos EUA, a proporção de cidadãos com 65 anos ou mais atingiu 15 por cento em 2014, contra 9,5 por cento em 1964, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Os números de 2014 foram ainda piores na zona do euro (19 por cento) e no Japão (25 por cento).

Produtividade

Além de somar trabalhadores, a única forma de aumentar as taxas de crescimento do PIB é produzir mais por cada hora trabalhada. Yellen chamou o crescimento da produtividade de "principal determinante das melhoras nos padrões de vida". Desde 2010, o crescimento médio tem sido de um desprezível 0,6 por cento nos EUA, contra 2,3 por cento entre 1948 e 2009, segundo o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA. Uma erosão similar aparece na Europa e no Japão.

Dívida

A dívida geral do governo atingiu 123 por cento do PIB nos EUA em 2014, contra 62 por cento em 2000, segundo a OCDE. Na zona do euro, excluindo Malta, Lituânia e Chipre, países para os quais não havia dados disponíveis, a média foi de 98 por cento, com uma taxa de 179 por cento na Grécia e de 156 por cento na Itália. O Japão superou a todos com 247 por cento.

"As respostas não são simples", disse Bullard, do Fed de St. Louis. "Não há varinha mágica".

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