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Emissão de dívidas não acompanha apetite do BCE por títulos

Alessandro Speciale

(Bloomberg) -- Persiste o temor de que o Banco Central Europeu em breve ficará sem dívidas soberanas para comprar para o seu programa de flexibilização quantitativa e os governos excessivamente alavancados da Europa se recusam a dar uma mão.

Segundo um estudo do JPMorgan, a emissão líquida de novas dívidas deste ano será menor que o apetite do BCE, que realiza uma compra mensal de 80 bilhões de euros (US$ 88 bilhões). Embora o valor seja apenas uma gota no oceano em comparação com o "universo qualificável", os dados ilustram a velocidade em que o banco central está abocanhando o mercado.

A demanda do BCE por títulos neste ano representou, de fato, cerca de três vezes o que os governos colocarão no mercado.

A emissão líquida de títulos soberanos em 2016 totalizará 214 bilhões de euros -- em contraste com o total de 6,9 trilhões de euros de títulos nominalmente qualificáveis. Desses, segundo uma estimativa de 12 de julho de Anatoli Annenkov, do Société Générale, 5,4 trilhões de euros estavam acima da taxa de depósito do BCE e, portanto, disponíveis para aquisição.

Por um lado, este é um sinal da magnitude da flexibilização na qual os bancos centrais de todo o mundo embarcaram. No Japão, onde a deflação arraigada levou o banco central a empregar estímulos em uma escala ainda maior, a autoridade monetária compra a mais de duas vezes o ritmo de emissão de dívidas do país.

Contudo, os dados mostram também que a disciplina fiscal ainda tem algum valor na zona do euro, apesar da baixa recorde nos rendimentos.

As regras orçamentárias da União Europeia, mesmo que não perfeitamente respeitadas, são uma barreira ao gasto em excesso dos estados com dinheiro emprestado em um momento de custos de financiamento muito baixos. Isto é importante também para evitar o tipo de estímulo fiscal focado na demanda que alguns bancos centrais defendem.

"Embora a emissão maior seja onde o BCE poderia obter alguma ajuda para encontrar títulos, nenhum país está planejando, de fato, algum estímulo fiscal grande", diz Annenkov. "O principal problema é a combinação das relações de dívidas públicas, que historicamente já são altas, com as regras fiscais da UE".

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