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Empresas enfrentam dúvida em relação a futuro após Brexit

Eric Pfanner

(Bloomberg) -- A decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia semeou confusão na cúpula das empresas e, até o momento, afetou mais os preços e o planejamento do que a rentabilidade.

A gigante de engenharia ABB, a editora Daily Mail & General Trust e a rede varejista de eletrodomésticos AO World citaram a incerteza crescente em seus balanços trimestrais nesta quinta-feira, dia mais movimentado de anúncios de balanços desde o referendo de 23 de junho.

Contudo, os consumidores ainda estão comprando carros, bolsas e sorvete, o que dá impulso a empresas como Daimler, Hermès International e Unilever.

Em um dos exemplos mais claros do reflexo do Brexit sobre os negócios de uma empresa, a companhia aérea de baixo custo EasyJet informou, também na quinta-feira, que a desvalorização da libra era um dos diversos fatores, incluindo ataques terroristas recentes, que deixavam os viajantes inquietos. Isto prejudicou a receita tarifária da empresa.

"A volatilidade cambial resultante da decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a UE, assim como os acontecimentos recentes na Turquia e em Nice, continuam afetando a confiança do consumidor", disse a CEO da EasyJet, Carolyn McCall, em comunicado.

A General Motors também quantificou o impacto, dizendo que o plano de deixar a União Europeia poderia custar à empresa US$ 400 milhões no segundo semestre do ano.

"Estamos enfrentando intensas forças contrárias no momento, particularmente no nosso maior mercado -- o Reino Unido", disse Karl-Thomas Neumann, chefe da divisão europeia da GM, em vídeo publicado em sua conta no Twitter. "A decisão do Brexit não é um bom presságio".

Os balanços do segundo trimestre incluem apenas uma semana de resultados após o referendo, mas os executivos estimam um impacto nos próximos meses. Em pesquisa do Banco da Inglaterra divulgada nesta semana, cerca de um terço dos participantes disse esperar "algum impacto negativo" no próximo ano.

Mas o relatório mostrou mais pontos de interrogação em relação ao futuro do que qualquer evidência clara de uma desaceleração acentuada.

O maior efeito da decisão é a visibilidade reduzida em relação ao futuro enquanto o Reino Unido negocia sua saída da UE, o que poderia afetar os planos de investimento, dizem as empresas.

A ABB, que tem sede em Oerlikon, na Suíça, disse que as encomendas se mantiveram fortes na Europa no último trimestre, de uma forma geral, exceto no Reino Unido, onde caíram 34% devido à incerteza em torno do Brexit. "O referendo provocará um efeito de redução da atividade comercial nesta parte do mundo", disse o CEO Ulrich Spiesshofer em teleconferência.

Nesta quinta-feira, a Confederação da Indústria Britânica exortou o governo a formular rapidamente um plano e um cronograma para a retirada.

O órgão disse que a força da economia no futuro dependeria da capacidade do governo de manter o acesso ao mercado comum e de assegurar que qualquer limitação à imigração não privará as empresas de trabalhadores qualificados.

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