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Mineradora de Slim com 93% de retorno é rejeitada por analistas

Adam Williams

(Bloomberg) -- A Minera Frisco é a ação de mineração de melhor desempenho da região neste mês e deu retorno de 93% no ano. Nenhum analista recomenda a compra dos papéis.

A Frisco, produtora de ouro e prata que pertence ao bilionário Carlos Slim, está registrando seu melhor ano desde que começou a ser negociada na Bolsa de Valores mexicana, em 2011, impulsionada, em parte, pelo fato de os investidores estarem recorrendo aos metais preciosos em meio à volatilidade do mercado gerada pela saída do Reino Unido da União Europeia.

Neste mês, os retornos de 28% da Frisco estão superando os de concorrentes internacionais, como a Barrick Gold, a chinesa Zinjin Mining e a gigante mexicana da prata Industrias Peñoles, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Os analistas não estão convencidos. Morgan Stanley e Credit Suisse recomendam a venda das ações da Frisco, e a Moody's, citando "pressão nas métricas de crédito da empresa devido à piora das condições de mercado e a baixa probabilidade de que os fluxos de caixa e as métricas de crédito melhorem" a curto prazo, rebaixou a classificação da empresa para B3 em abril.

"Acredito que parte das altas das ações que temos visto no setor de mineração estão perdendo força", disse Bernardo Trejo, analista de ações de mineração da Invex Casa de Bolsa, na Cidade do México, em entrevista por telefone. "As empresas que acumularam ouro e prata se beneficiaram com o rali internacional que vimos nos mercados".

A Frisco, cujas ações caíram 62% no ano passado, acumulou US$ 1,39 bilhão em dívidas no primeiro trimestre, enquanto a produção de ouro caiu 12% em comparação com o ano anterior.

A Frisco enfrenta um "risco de refinanciamento" devido a seus altos níveis de dívida e "é incerto se a empresa será capaz de cobrir seus próximos compromissos de dívida com a geração interna de caixa", segundo a Moody's.

Os futuros do ouro atingiram a maior baixa em três semanas na quarta-feira porque os ganhos das ações e o dólar mais forte limitaram a demanda do metal como reserva de valor. A prata estendeu sua sequência mais longa de prejuízos em oito meses e as ações das mineradoras tiveram a maior queda desde novembro.

"Estamos vendo uma maior exposição ao apetite pelo risco nos últimos dias nos mercados internacionais", disse Trejo. "Isto pode ter uma correlação inversa para as empresas mineradoras, que foram vistas, em sua maioria, como uma aposta segura durante um momento de instabilidade e incerteza".

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