S&P 500 bate recordes mesmo com depreciação de moeda chinesa

Oliver Renick e Bailey Lipschultz

(Bloomberg) -- A capacidade de passar por cima dos problemas tem sido característica marcante das bolsas dos EUA há sete anos. A novidade é que as bolsas estão batendo recordes mesmo diante de uma ameaça que apavorava os investidores há apenas quatro meses.

No que deu o movimento de desvalorização do yuan, vilão das correções nas ações dos EUA em janeiro deste ano e agosto do ano passado? A teoria na época era que a depreciação da moeda chinesa era presságio do fim da liquidez, de paralisação do motor da economia mundial, da ressaca após o excesso de risco.

Agora nada disso importa.

O yuan perdeu 3,3% desde que alcançou a máxima de 2016, de 6,45 por dólar em março, alinhado à queda sofrida nos meses que antecederam o tombo de 11% do índice S&P 500 no início do ano.

Desta vez, o movimento aconteceu enquanto as bolsas americanas avançaram 8,6% para novos recordes, diante de especulações de que o banco central americano vai manter os juros inalterados neste ano e da decisão do eleitorado britânico de sair da União Europeia.

Desde o início da fase de alta das bolsas, o S&P 500 nunca batia recorde se o yuan se depreciasse mais de 3% nos três meses anteriores.

"O efeito inesperado do Brexit foi a disparada dos ativos puxada pelos bancos centrais, que está se sobrepondo a preocupações como a China", disse Peter Cecchini, estrategista-chefe de mercados e co-responsável por renda variável da Cantor Fitzgerald, em Nova York.

"Moeda e ações tiveram correspondência neste ano e em agosto e eu acho que havia uma conexão causal. A pergunta é por que isso talvez não esteja na cabeça das pessoas agora."

O estado de saúde da economia chinesa foi o epicentro do turbilhão nos mercados acionários do mundo todo em meados do ano passado, quando os investidores contemplavam o desaquecimento da economia global e o choque cambial pelo banco central chinês em agosto.

No começo deste ano, veio outro susto com a queda de 11% do S&P 500, diante de preocupações em relação à política monetária e redução dos lucros das empresas e do crescimento global.

As perdas do yuan não cederam desde então. O movimento de depreciação em relação ao dólar desde 31 de março incluiu uma queda mensal de 1,7% em maio que foi a mais acentuada desde agosto. Nos dias 11 e 12 de agosto, a derrapada foi de 2,8%. De lá até janeiro, houve perda de mais 4%.

Desde a mínima atingida em maio, o dólar se fortaleceu 3,6% em relação a uma cesta de 10 moedas importantes, segundo compilação da Bloomberg.

Juntamente com a lentidão da economia chinesa, essa apreciação geral do dólar abalou o yuan, de acordo com o economista-chefe da Bloomberg Intelligence, Michael McDonough. Para ele, a ausência de um pânico nos mercados como o observado em períodos anteriores de desvalorização não significa sinal verde para os investidores.

"Esse cenário dos Cachinhos Dourados para Pequim reflete uma combinação de fatores que inclui a diminuição dos temores de um pouso forçado iminente, melhoria da comunicação e estabilidade nos mercados de ativos da China", escreveu McDonough, que também é diretor global de pesquisa econômica.

"Ainda assim, à medida que se alarga o hiato entre as garantias verbais das autoridades e a realidade da depreciação, os riscos de outra espiral descendente estão mais presentes do que nunca."

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