Draghi absorve liquidez existente em mercado de crédito europeu

Katie Linsell

(Bloomberg) -- A farra de compras de Mario Draghi no mercado de títulos corporativos da Europa pode estar tornando-o mais barato para os tomadores de empréstimos. Mas, para quem negocia a dívida, está ficando muito mais caro.

O custo de negociação da dívida está mais alto do que em qualquer outro momento desde abril de 2013, segundo um indicador da dificuldade enfrentada pelos investidores para compra e venda de notas com grau de investimento na moeda comum. O

s investidores pagam uma média de 6.200 euros (US$ 6.841) por cada 1 milhão de euros dos títulos negociados, contra cerca de 4.600 euros um ano atrás, mostram os dados da plataforma de negociação de renda fixa MarketAxess Holdings.

O Banco Central Europeu acumulou mais de 10,4 bilhões de euros em títulos corporativos nas últimas seis semanas sob seu programa de aquisição de ativos, elaborado para estimular a economia da região. Draghi, o presidente do BCE, sinalizou na quinta-feira que o banco central estudará a adição de mais estímulos se a decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia ameaçar o crescimento.

"O BCE está sugando uma porção significativa dos títulos do mercado diariamente", disse Paul Suter, trader de renda fixa em Londres da ECM Asset Management, parte da Wells Fargo Asset Management, que administra mais de US$ 480 bilhões. "A liquidez já era desafiadora, mas esse programa de compras agora é um grande problema e piorou a situação".

A diferença entre o preço médio pelo qual os investidores compram e vendem títulos corporativos com grau de investimento em euros cresceu para 0,62 pontos percentuais, segundo dados do serviço de informação pós-negociações da MarketAxess, o Trax, que diz processar aproximadamente 65% de todas as transações de renda fixa da Europa. Quanto maior a diferença, mais cara a transação.

No caso dos títulos de classificação junk, a transação custa cerca de 13 mil euros por milhão negociado, 32% mais que no ano anterior, mostram os dados.

Antes mesmo de o BCE se tornar o maior comprador da região, as transações haviam se tornando mais caras porque as regulações posteriores à crise financeira levaram os bancos a diminuir seus ativos e a reduzir suas equipes.

Para piorar, assim que os negociantes recuaram o tamanho do mercado inchou. Há mais de 950 bilhões de euros em notas em circulação de empresas não-financeiras, contra cerca de 520 bilhões de euros há uma década, segundo dados do BCE.

O banco central fez 96% de suas aquisições no mercado secundário em junho, segundo um comunicado do banco, porque as empresas não venderam um volume suficiente de dívidas. As vendas caíram 62% em junho em relação ao mês anterior, para 19 bilhões de euros, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. Em julho, a emissão totalizou 12,5 bilhões de euros porque o referendo do Brexit pesou sobre o sentimento do investidor.

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