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Bancos brasileiros tentam conter onda de recuperações judiciais

Aline Oyamada

(Bloomberg) -- Alguns dos maiores bancos do Brasil estão ampliando os esforços para conter o rápido aumento dos pedidos de recuperação judicial entre seus clientes.

Nos últimos 12 meses o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil e o Banco Santander Brasil criaram divisões com a tarefa de ajudar as empresas a reestruturarem suas dívidas para evitar o pedido de recuperação judicial. O Banco Bradesco planeja criar uma unidade semelhante, segundo um funcionário da empresa que pediu anonimato porque a informação é privada.

As decisões dos bancos surgem em um momento em que as altas taxas de juros e a recessão mais longa do Brasil em mais de um século dificultam o pagamento de dívidas das empresas. No primeiro semestre de 2016 os pedidos de recuperação judicial dispararam 88%, atingindo o maior patamar em 10 anos, segundo a Serasa Experian.

Isso significa que os bancos tiveram que realizar a baixa contábil dos empréstimos feitos a essas empresas e aumentar a quantidade de recursos separada para cobrir prejuízos.

Os bancos brasileiros elevaram suas chamadas provisões para empréstimos de liquidação duvidosa por três trimestres seguidos. As provisões equivaliam a 6,2 por cento da carteira de empréstimos total dos bancos em maio, maior proporção em quase seis anos, segundo o Banco Central.

"Os grandes bancos estão dedicando cada vez mais pessoas e recursos para essas áreas para discutir soluções mais criativas", disse Luis de Lucio, diretor-gerente da assessoria de reestruturações Alvarez & Marsal.

O Banco do Brasil, que tem sede em Brasília, destacou parte de sua equipe das áreas comercial e de crédito no ano passado para lidar exclusivamente com empresas identificadas como aquelas com maior probabilidade de se tornarem inadimplentes.

"Notamos que havia mais clientes com dificuldades financeiras e decidimos que era necessário ter negociações mais profundas com eles", disse Walter Malieni, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos. "Isso tem ajudado a reduzir as taxas de inadimplência e as provisões".

O Itaú, que tem sede em São Paulo, montou sua equipe de executivos especializados em reestruturações de dívida neste ano. O Banco Santander Brasil, também com sede em São Paulo, formou sua unidade em 2015. A equipe faz parte da divisão de corporate banking da empresa e muitos funcionários foram realocados de outros departamentos.

As assessorias de imprensa do Bradesco, do Santander e do Itaú preferiram não comentar sobre o tamanho de suas respectivas unidades de reestruturação de dívidas.

A expansão dessas áreas "acelerou o processo de renegociação com os bancos e acho que agora os procedimentos estão se tornando mais rápidos e mais eficientes", disse Renato Carvalho, sócio fundador da Laplace Finanças, empresa de serviços financeiros com sede em São Paulo com cerca de R$ 10 bilhões sob gestão.

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