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Bill Gross aposta alto no México meses após se livrar de títulos

Isabella Cota

(Bloomberg) -- O bilionário gestor de fundos de renda fixa Bill Gross está recuperando seu amor pelo México.

As notas do país ligadas à inflação com vencimento em 2025 estavam entre as cinco principais participações do Janus Global Unconstrained Bond Fund de Gross, de US$ 1,5 bilhão, em 30 de junho, segundo o site do fundo.

Apenas três meses antes, ele havia se livrado de todas as notas soberanas do México, o que parecia ser uma mudança significativa em sua estratégia de investimento após elogiar os ativos financeiros do país durante anos.

Gross saiu brigado daquele que era o maior fundo de renda fixa do mundo em 2014 para ingressar na Janus Capital. Ele busca lucrar com as dívidas mexicanas, que são impulsionadas pelo aumento da inflação gerado pela desvalorização do peso.

O peso mexicano caiu 7,1% neste ano, segundo pior desempenho entre as principais moedas do mundo. A desvalorização ajudou a elevar a taxa de inflação a 2,72%, contra 2,13% em dezembro, quase o menor patamar em 50 anos.

Devido à aceleração dos preços, os investidores acumularam os chamados linkers mexicanos e, assim, os rendimentos das notas com vencimento em 2025 vêm caindo desde maio.

"Considerando a depreciação do peso e a probabilidade de que os eventos pontuais que reduziram a inflação não aconteçam novamente, foi uma boa transação", disse Andrés Jaime, estrategista do Barclays.

O peso mexicano caía 1 por cento, para 18,7222 por dólar, às 10h17 desta segunda-feira em Nova York, liderando os prejuízos entre as principais moedas monitoradas pela Bloomberg.

A Janus não respondeu aos pedidos por comentários de Gross sobre seu investimento em títulos do México.

As notas mexicanas equivaliam a 4% do fundo de Gross, o que as tornou a maior participação de títulos soberanos até 30 de junho. O fundo deu retorno de 11% neste ano, desempenho superior ao de 60% de seus pares, mostram dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

O fundo registrou um retorno total de 2,6% desde que Gross assumiu o comando em outubro de 2014, após deixar a Pacific Investment Management Co.

Gross começou a elogiar o México em junho de 2012, quando disse que preferia os títulos do país aos da Alemanha, citando os rendimentos superiores e os níveis de dívida inferiores do país latino-americano. No ano passado, ele disse que o México oferecia "os rendimentos mais atraentes do mundo".

Gross não é o único a pensar que a inflação do México provavelmente continuará acelerando. A inflação implícita de 10 anos do país -- um indicador do mercado de títulos para as expectativas dos investidores em relação ao custo de vida -- subiu para 3,25%, contra 2,8% em abril.

"A inflação não deverá ser tão baixa e benigna como no final de 2015", disse Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, em nota. "O fracasso da estabilização do peso mexicano empurraria a inflação mais para cima".

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