Recorde de calotes em títulos não detém caça por yield na China

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Nem mesmo o número sem precedentes de calotes em títulos impediu os investidores chineses que estão à caça de rendimentos de comprarem notas onshore de grau especulativo, levando o custo do crédito ao nível mais baixo em mais de dois anos.

As dívidas corporativas de sete anos com classificações AA-, consideradas de nível junk (especulativo) na China, tinham um prêmio de rendimento de 341 pontos-base sobre as notas soberanas de vencimento similar, nível mais baixo desde dezembro de 2013, segundo dados da Chinabond.

O declínio de 22 pontos-base deste mês foi o maior desde maio de 2015. Isto coincide com o calote de 17 notas emitidas publicamente no mercado onshore até esta altura do ano, contra sete em todo o ano de 2015.

A queda do mercado de crédito, em abril, é uma lembrança distante para os chineses caçadores de rendimentos, que estão acompanhando a invasão dos investidores globais ao mercado de títulos corporativos depois que os rendimentos soberanos caíram para menos de zero do Japão à Alemanha.

A Ping An Securities estimou que recursos de gestão de patrimônio que os bancos chineses autorizam as corretoras de valores a alocarem no mercado de dívidas poderá dobrar para 5 trilhões de yuans (US$ 749 bilhões) no fim deste ano, contra cerca de 2 trilhões de yuans em 2015.

"A entrada de muitos recursos de gestão de patrimônio dos bancos no mercado de títulos ampliou a demanda por títulos com yields relativamente altos", disse Ye Sheng, gerente de investimentos e chefe de pesquisa de renda fixa da Fullgoal Fund Management, que administra 168 bilhões de yuans em ativos. "Parte do capital está buscando ativos deteriorados sob pressão para gerar retornos".

A meta de retorno média para novos produtos de gestão de patrimônio de seis a 12 meses oferecidos por bancos comerciais municipais era de 4,36% em junho, segundo a PY Standard. Aqueles oferecidos por bancos rurais têm um rendmento de 4,31%, disse a empresa de pesquisa com sede em Chengdu. As notas corporativas com classificação AAA rendem 2,83% em média.

"As corretoras de valores autorizadas a administrar produtos de gestão de patrimônio estão tendo dificuldades para atingir a meta de retornos", disse Shi Lei, chefe de pesquisa de renda fixa da Ping An Securities em Pequim. "A tolerância dos investidores de riscos está aumentando".

Shi disse que o prêmio dos títulos de alto rendimento cairá ainda mais porque os investidores acreditam que o banco central manterá uma ampla quantidade de recursos no sistema financeiro para dar suporte à economia.

A taxa de recompra de sete dias, um indicador da disponibilidade de financiamento interbancário, foi de 2,39% neste mês em média, contra 2,43% em abril e 2,6% um ano antes.

A perseguição a ativos de alto rendimento "é compreensível no curto prazo", disse Ye. "Mas a longo prazo pode não ser uma boa opção".

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