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Wall Street domesticada: o preço de multas, demissões e ira

Edward Robinson

(Bloomberg) -- Chris Hentemann tem duas obras de arte nas paredes de seu escritório no centro de Manhattan. Uma delas é uma fotografia ampliada da cabine de seu bimotor Beechcraft Baron. A outra é uma gravura de Andy Warhol de Muhammad Ali com os punhos em riste.

Para Hentemann, um gestor de fundos muito magro que passou 25 anos no setor financeiro, as duas imagens captam a dualidade de Wall Street. É um setor onde é preciso administrar os riscos com precisão e disciplina, mas que também é conduzido pela audácia, pelo ego e pelo instinto assassino. Ou, pelo menos, costumava ser assim.

Em uma era definida pela reação populista ao capitalismo voraz, o negócio das finanças perdeu seu encanto. Um setor que costumava celebrar a mão invisível do mercado livre, que costumava conceder riquezas sem precedentes a acionistas e funcionários, foi castigado por US$ 284 bilhões em multas nos últimos oito anos. Embora Wall Street tenha se gabado por muito tempo de ser uma incubadora de inovação, hoje está preso em uma rede de normas destinadas a evitar que os banqueiros voltem a ameaçar a economia mundial. A rentabilidade e a remuneração estão caindo porque as forças desencadeadas pela crise financeira de 2008 estão cobrando seu preço.

"Quanto mais os órgãos reguladores pressionam, mais eles transformam os bancos em empresas públicas financeiras", disse Hentemann, 48, ex-diretor de finanças estruturadas do Bank of America que agora administra um hedge fund centrado no crédito chamado 400 Capital Management, de US$ 1,5 bilhão. "Mas, depois do que aconteceu na crise, é possível censurá-los?".

Com novos requisitos de capital e testes de estresse mais rigorosos à frente, os diretores dos bancos provavelmente vão comprimir ainda mais as despesas de suas organizações nos próximos anos. Neste ano, a receita dos bancos de investimentos dos EUA e da Europa encolherá um quinto em comparação com 2010, para US$ 212 bilhões, de acordo com a Boston Consulting Group. Os profissionais do setor financeiro estão enfrentando uma realidade que antigamente consideravam impensável -- a brincadeira impetuosa que durou tanto tempo foi domesticada.

Enquanto os órgãos reguladores governamentais intensificam sua severidade, a economia mundial vacilante e um bando de startups de tecnologia financeira que ataca os muros do castelo estão impondo mudanças que poucos previram depois da crise. Banqueiros influentes, como Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, e Ana Botín, presidente do conselho do Banco Santander, estão investindo milhões de dólares em empreendimentos para defender seu terreno contra intrusos e conquistar a geração Y, que vive a vida através dos smartphones. Até o Banco da Inglaterra, com seus 322 anos, está tomando providências: em junho, o presidente Mark Carney anunciou o lançamento de um acelerador de tecnologia financeira.

"Esta é uma transição que acontece uma vez a cada era", disse Vikram Pandit, que, como CEO do Citigroup de 2007 a 2012, conduziu o verdadeiro supermercado financeiro mundial. "A arquitetura do setor bancário está evoluindo dos conglomerados para fornecedores menores, ágeis e especializados. Não é uma transição simplesmente tecnológica, é uma mudança nos modelos de negócios".

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