Investidor perde se piscar em mercado de dívida corporativa EUA

Claire Boston

(Bloomberg) -- Famintos por rendimentos, investidores em títulos do mundo inteiro estão começando a se amontoar às portas dos subscritores de dívida corporativa de Wall Street.

Os títulos vendidos por empresas dos EUA de primeira linha estão entre os poucos a oferecer retornos decentes. Os investidores que compraram a dívida de 30 anos que foi parte da maior venda desde ano, a oferta da Anheuser-Busch InBev por US$ 46 bilhões, em janeiro, ganharam mais de 20% com base no preço, em contraste com 17,3% para notas com vencimento e classificação similares, de acordo com dados do índice do Bank of America Merrill Lynch.

"Todos os dias gestores de carteira me perguntam: 'Como está a preparação de ofertas de produtos? Precisamos de mais produtos para comprar'", disse A.J. Murphy, diretora de mercados globais de capital do Bank of America. "A demanda está altíssima na maioria das transações que está chegando no mercado".

A forte demanda pelas vendas de títulos corporativos dos EUA neste momento salienta como os juros negativos na Europa e no Japão estão impelindo os investidores internacionais a buscar retornos maiores nos EUA, o que está reduzindo os rendimentos.

O rendimento extra que os gestores de recursos exigem para manter dívidas corporativas dos EUA em relação aos títulos soberanos atingiu o menor patamar na semana passada e está abaixo da média desde meados de 2011, de acordo com dados compilados pela agência de notícias  Bloomberg.

"O mercado de novas emissões é provavelmente um dos modos mais fáceis para os investidores de expressar essa demanda", disse Jeff Cucunato, diretor de crédito com grau de investimento dos EUA na BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, que vem comprando títulos no mercado primário e no secundário.

A demanda forte ajudou a Molson Coors Brewing e a Walt Disney a garantir juros baixos recorde na dívida que venderam no início deste mês. Os investidores colocaram mais de US$ 70 bilhões em pedidos pela venda de US$ 15 bilhões da Teva Pharmaceuticals na semana passada.

"Os investidores internacionais de alta qualidade estão obrigados a migrar para os títulos corporativos de alta qualidade dos EUA", disseram analistas conduzidos por Hans Mikkelsen em uma nota com data de sexta-feira. A emissão provavelmente vai superar a do ano passado, disse Susan Scher, diretora de mercados de capitais com grau de investimento do Goldman Sachs Group, no mês passado.

O risco dos empréstimos corporativos dificilmente despareceu. Os calotes em notas com rendimentos altos, por exemplo, atingiram os patamares mais elevados em mais de cinco anos no segundo trimestre, de acordo com um relatório deste mês da Moody's Investors Service, que projeta que eles subirão mais.

Mesmo assim, gestores de fundos podem pensar que não têm muita escolha além de comprar títulos corporativos. Dívidas de empresas dos EUA respondem por cerca de 12% do valor de mercado de títulos com grau de investimento globalmente. Mas oferece cerca de 32% do rendimento destes títulos, em comparação com menos de 12% de uma década atrás, segundo dados do Bank of America Merrill Lynch.

"Não tenho problemas em comprar algumas dessas coisas e simplesmente obter algum retorno em relação aos títulos do Tesouro dos EUA", disse Ryan Jungk, analista de crédito da Newfleet Asset Management, que administra US$ 11,8 bilhões. "Acho que é por isso que esse espaço é popular".

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