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Análise: Consumidores ajudam investidores mais que Pequim

David Fickling

(Bloomberg) -- Daria para pensar, a julgar pelos planos da LVMH de vender a Donna Karan International depois de uma luta de 16 anos para reviver seus dias de glória, que os investidores estão desistindo do mundo da moda.

O ateliê de luxo francês, cujo nome completo é LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, gastou US$ 243 milhões na compra da marca em 2001. Se, em vez disso, tivesse feito um investimento passivo no subíndice de roupas do S&P 500, teria tido quase o dobro do ganho de capital que virá da venda da Donna Karan por US$ 650 milhões.

A venda chega depois de a VF Corp., proprietária da Skechers e da Timberland, ter publicado na semana passada resultados pessimistas relativos ao segundo trimestre que salientaram os temores de que a agitação política na Europa e nos EUA esteja abalando a confiança do consumidor.

Mas não se desanime ainda -- a Ásia está vindo em socorro.

A Trendy International, empresa chinesa que vende calças jeans Miss Sixty na Ásia e conta com a L Capital Asia, da LVMH, entre seus acionistas, está buscando uma avaliação de cerca de US$ 5 bilhões em uma abertura de capital já no fim do próximo ano, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à Bloomberg News.

Cerca de US$ 6,75 bilhões em aberturas de capital e ofertas de ações primárias foram anunciados no setor de vestuário da China e de Hong Kong nos últimos 12 meses, sem incluir a Trendy. O valor equivale a cerca de 98 por cento de todas as transações do tipo no mundo durante esse período, mostram dados compilados pela Bloomberg.

O entusiasmo dos investidores por essas ações, mesmo depois de a bolha imobiliária chinesa ter estourado em junho do ano passado, é um pouco surpreendente.

As dificuldades das empresas de moda voltadas para o continente, como a sapataria Belle International e a rede de joalherias Chow Tai Fook, foram bem documentadas, e o setor de vestuário vem ficando abaixo do índice mais amplo de preços ao consumidor o ano todo porque a inflação dos preços ao produtor não fica para trás.

Contudo, a China continua a caminho de superar os EUA dentro dos próximos anos como o maior mercado varejista do mundo.

E, embora o reequilíbrio, proposto por Pequim, para um crescimento impulsionado pelo consumo tenha sido trocado por um boom de dispêndio de capital à moda antiga nos últimos meses, isso não é necessariamente algo ruim para o consumo no curto prazo.

Apesar de todas as falhas de um surto de crescimento estimulado por investimentos como forma de administrar uma economia que já devora a capacidade industrial, este é um modo notavelmente eficiente de colocar dinheiro no bolso dos consumidores.

A campanha chinesa por uma economia mais voltada aos serviços, conforme seu 12º plano quinquenal a partir de 2011, foi acompanhada por uma desaceleração, em vez de uma aceleração, do consumo.

Há sinais de que os gastos com investimentos já esteja se infiltrando no comportamento das famílias.

Uma pesquisa sobre confiança do consumidor realizada por ANZ Bank e Roy Morgan atingiu um pico de 14 meses em abril, e dois importantes subindicadores -- que mostram a disposição atual para gastar em itens de peso e as expectativas para a situação financeira das famílias no próximo ano -- também estão esquentando.

Como era de se esperar da disposição das empresas chinesas de roupa para vender novas ações ao público, as avaliações não estão particularmente baratas neste momento.

O índice de empresas chinesas de lojas de roupas, de calçados e de departamentos da Bloomberg Intelligence está operando a um lucro estimado a 12 meses de 18,6, não muito abaixo dos 19,5 registrados pelo subconjunto comparável do S&P 500.

Mesmo assim, seria um erro pensar que a febre de consumo do país acabou só porque Pequim está mudando o foco de volta aos grandes investimentos em infraestrutura. O governo pode ter desistido do crescimento do consumo, mas isso não significa que as famílias tenham feito o mesmo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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