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Seguradoras nos EUA atuam como supermercados financeiros

Sonali Basak

(Bloomberg) -- Se tudo sair errado, empreste dinheiro.

Essa é a estratégia de algumas das maiores seguradoras americanas na busca de retornos mais altos em um universo de investimento onde às vezes a compra de títulos garante prejuízos.

Os maiores bancos dos EUA estão limitados por normas promulgadas depois de 2008 que tornam mais difícil estender empréstimos. Portanto, empresas como a MetLife e a American International Group estão aumentando a participação no mercado. Apesar de muitas seguradoras estarem no mercado de imóveis comerciais há décadas, o setor está se diversificando com hipotecas residenciais, créditos para pequenas empresas, empréstimos para compra de automóveis, financiamento de energia renovável e dívida estudantil.

"Não há dúvida de que as seguradoras estão tentando se diversificar entrando em novas áreas e inovando tanto quanto possível", disse Adam Hamm, chefe do departamento de seguros da Dakota do Norte e membro do Conselho Supervisor de Estabilidade Financeira dos EUA.

O discreto rearranjo do setor de crédito faz parte de uma transformação das finanças americanas após a crise de crédito de 2008. Junto a hedge funds, empresas de private equity e startups de tecnologia, as seguradoras se uniram às filas dos bancos paralelos - empresas que agem como bancos sem serem reguladas como eles. Legisladores e reguladores já perceberam a mudança de cenário e a candidata presidencial democrata Hillary Clinton prometeu "abordar os perigos financeiros" aumentando a transparência e reduzindo a volatilidade no sistema emergente.

Novos supermercados

As seguradoras estão se convertendo nos novos supermercados financeiros em parte por causa dos retornos minúsculos oferecidos por investimentos tradicionais - as notas do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos rendem menos de 1,6 por cento e parte da dívida soberana europeia é negativa, ou seja, os investidores têm que pagar para colocar seu dinheiro nela. E uma incursão em investimentos mais agressivos, como hedge funds, atrelou muito capital e provocou perdas nos últimos trimestres.

Hoje, seguradoras são responsáveis por 11,6 por cento dos empréstimos no mercado global de dívida privada, que inclui créditos diretos, segundo a fornecedora de dados Prequin. As empresas aumentaram em 50 por cento o financiamento imobiliário, para US$ 430 bilhões, nos últimos dez anos, segundo o Federal Reserve (Fed).

Em 2015, a MetLife ,a maior fornecedora de seguros de vida dos EUA, concedeu mais hipotecas do que nunca em 148 anos de história. O CEO Steve Kandarian disse que a empresa planeja continuar se expandindo em 2016 porque as hipotecas têm "fluxos de renda previsíveis". A MetLife não quis fazer comentários. A AIG tem mais de US$ 20 bilhões alocados em hipotecas comerciais e aumentará sua aposta enquanto abandona hedge funds de desempenho ruim.

Federal Reserve

As seguradoras estão cada vez mais parecidas com administradoras de ativos. A MetLife, a MassMutual, a Prudential Financial e a New York Life Insurance estão montando unidades que investem recursos de clientes em vez de só o dinheiro que possuem para garantir as obrigações das apólices. Um porta-voz da New York Life não quis comentar.

Apesar de serem vistas como credores seguros porque podem investir recursos durante muito tempo e não têm de se preocupar com depositantes que retiram dinheiro a qualquer momento, é possível que as seguradoras não tenham a experiência em subscrição de títulos de credores veteranos, disse Yariv Itah, assessor de administração de ativos da Deloitte Consulting.

"Existe o risco de não saber exatamente como fazer isso", disse Itah. "Então, toda vez que um investidor entrar em uma nova área de investimento, há certos riscos operacionais".

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