Análise: Bancos europeus não têm folga e sofrem após Brexit

Lionel Laurent

(Bloomberg) -- A turbulência provocada nos mercados pelo Brexit impulsionou as divisões de trading de renda fixa dos bancos dos EUA no segundo trimestre, o que ajudou a amortecer um declínio na receita obtida com ações.

Agora que os números chegaram, fica claro que os bancos europeus não conseguiram igualar esse desempenho em renda fixa, câmbio e commodities (FICC, na sigla em inglês) -- e sofreram um declínio mais acentuado nas ações.

A lição? Os bancos da Europa -- afetados pela estagnação da receita, pelos custos persistentemente altos e pela redução da rentabilidade -- estão diminuindo de tamanho, o que ajuda os concorrentes dos EUA a ganhar participação no mercado.

A contração não dá sinais de acabar, pelo menos na Europa. O CEO do Deutsche Bank, John Cryan, disse aos funcionários nesta semana que se o ambiente econômico fraco persistir, o banco terá que intensificar a reestruturação.

E, apesar dos comentários mais confiantes dos bancos suíços de que suas unidades de trading têm "o tamanho certo", ninguém está muito convencido de que a diminuição tenha acabado, porque a relação entre custos e rendimentos continua teimosamente alta.

Os bancos dos EUA não são imunes à fraqueza do ambiente econômico ou ao desaparecimento da exuberância na realização de transações e aberturas de capital. Mas eles reformaram mais rapidamente suas divisões depois da crise financeira.

Também mostraram maior agressividade para cortar os custos: o Goldman Sachs deu o tiro de largada para as reduções de custos mais profundas em anos; em janeiro, o Morgan Stanley estabeleceu uma meta de diminuição de custos de US$ 1 bilhão.

O setor geral de investment banking está se contraindo. Projeta-se que a receita global cairá em 2018 para níveis não vistos desde 2004, segundo analistas do JPMorgan. É de se esperar que os bancos da Europa percam mais terreno.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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