Estudo acusa bancos britânicos de elitismo nas contratações

Thomas Seal

(Bloomberg) -- O setor britânico de investment banking se baseia em um elitismo arraigado que impede que pessoas com origens de menor renda consigam empregos por suas capacidades, segundo um relatório de um órgão assessor do governo.

Recrutadores em busca de candidatos refinados, que falam e se vestem de determinada maneira, muitas vezes discriminam candidatos por detalhes como a cor dos sapatos e a escola que eles frequentaram, concluiu o relatório.

Metade dos principais executivos de investment banking da City de Londres estudou em escolas pagas, embora menos de 7 por cento dos estudantes britânicos frequentem colégios particulares, informou a Comissão de Mobilidade Social no estudo publicado na quinta-feira. No setor de private equity, sete de cada 10 novos contratados nos últimos três anos não estudaram em escola pública.

"Crianças inteligentes da classe trabalhadora" perdem oportunidades porque não conhecem "normas culturais misteriosas", disse Alan Milburn, presidente da comissão e ex-legislador do Partido Trabalhista, em um comunicado enviado por e-mail. "Alguns gerentes de bancos de investimento ainda julgam candidatos por usar sapato marrom com terno, em vez de considerar as habilidades e o potencial deles".

Os recrutadores, particularmente no setor de finanças corporativas e no de fusões e aquisições, procuravam características resumidas como "refinamento" que eram menos óbvias para os candidatos de menor renda, como certos sotaques e o conhecimento de regras de vestimenta "obscuras", concluíram os pesquisadores. Muitas vezes, a experiência de trabalho dependia das redes sociais e a grande maioria dos novos contratados se formou em universidades de elite, como Oxford e Cambridge.

Teto de classe

Para quebrar o chamado "teto de classe", os empregadores deveriam compilar informações sobre os antecedentes sociais e acadêmicos dos funcionários para ajudar a lançar uma rede maior e buscar talentos de escolas públicas, afirmou a comissão. Alguns bancos de investimento já estão progredindo no aumento da mobilidade social, informou o relatório.

O governo poderia influir nas práticas de contratação de dois dos maiores bancos do Reino Unido, porque ainda tem uma participação de cerca de 9 por cento no Lloyds Banking Group e de 72 por cento no Royal Bank of Scotland Group.

O relatório de quinta-feira coincide com a primeira reunião de um comitê convocado pela primeira-ministra Theresa May para enfrentar a desigualdade social. May tentou conquistar as famílias "comuns da classe trabalhadora" em seu discurso de posse em julho, e seu gabinete afirmou que o novo painel transformará "o Reino Unido em um país para todos, não apenas para os poucos privilegiados".

"Você pode até ter um emprego, mas nem sempre tem segurança no trabalho", disse May em um comunicado. "Você pode até ter casa própria, mas se preocupa com o pagamento da hipoteca. Você pode até se virar, mas se preocupa com o custo de vida e com mandar seus filhos para uma boa escola. Portanto, enquanto continuamos ajudando os mais desfavorecidos, também nos concentraremos nos milhões de pessoas para as quais a vida é uma luta e que trabalham o tempo todo para se manter à tona".

O comitê reunirá os chefes de nove departamentos do governo, entre eles os ministros das Finanças, do Interior e de Educação.

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