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O boom do minério de ferro se recusa a terminar

David Fickling

(Bloomberg) -- Desde que os preços do minério de ferro deram um salto de 19 por cento em um dia em março, as grandes mineradoras e siderúrgicas do mundo vêm esperando o momento em que a China desligará seus altos-fornos e a bolha finalmente estourará.

São poucos os sinais de que a festa pode estar chegando ao fim. O minério entregue em Qingdao sofreu a maior queda em um único dia em um período de dois meses na sexta-feira e registrou declínio em agosto pela primeira vez desde maio.

O monitoramento dos carregamentos a granel que deixam os terminais portuários australianos sugere que as exportações de minério de ferro caíram fortemente em julho, mostram dados da Bloomberg. Os números não são um reflexo perfeito dos dados finais de exportação, mas têm funcionado como um dos principais indicadores dos dados oficiais nos últimos dois anos.

E então, o colapso finalmente chegou ou trata-se apenas de uma ligeira queda mensal?

A calmaria parece contradizer as evidências de que a indústria siderúrgica da China ainda está a todo vapor. O espaço físico dos edifícios em construção na maior economia da Ásia continua subindo e um indicador da atividade industrial subiu em agosto, atingindo o nível mais alto em quase dois anos.

E embora a produção das usinas siderúrgicas do país tenha caído um pouco nos últimos meses, ela só está em linha com o declínio sazonal normal que se vê na China nos seis meses que antecedem o Ano-Novo Lunar.

É muito cedo para ter um quadro definitivo das exportações de agosto da Austrália, já que só se pode confirmar realmente que os carregamentos deixaram o país após várias semanas no mar. Mas os dados preliminares trazem más notícias para os pessimistas sobre o minério de ferro, porque sugerem uma forte recuperação em relação aos números fracos de julho para algum ponto acima de 76 milhões de toneladas de peso morto -- maior nível desde novembro de 2014, pelo menos.

O número bate com a análise de Paul Gait, da Bernstein, que estima que os carregamentos de minério de ferro do trimestre, até o momento, subiram 13 por cento em relação ao mesmo período do ano passado em uma base global.

Além disso, esses carregamentos estão sendo usados. O estoque de minério nos portos chineses quebrou a marca de 100 milhões de toneladas em maio e continua subindo -- mas em relação à demanda de importação, os estoques do país estão mantendo apenas 37 dias de oferta.

Em algum ponto a China precisa se livrar de sua perigosa dependência em relação ao crescimento impulsionado pelo crédito e pela construção. Mas os cortes prometidos pelo governo na produção de aço continuam não se materializando e, nesse intervalo, o investimento em ativos fixos no setor na verdade está subindo, não caindo.

As causas do excesso de capacidade no setor de metais da China são tão profundas que nem mesmo as ordens de Pequim são capazes de frear o problema. Ou seja, esse barco vai levar um tempo para fazer a volta.

Essa coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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