Três fatores ameaçam boa fase das bolsas globais, diz HSBC

Luke Kawa e William Canny

(Bloomberg) -- Expectativas exageradamente otimistas para os lucros das empresas, múltiplos esticados e entusiasmo nos mercados são os três sinais de reversão do momento favorável nas bolsas globais, segundo o HSBC Holdings PLC.

"Estamos cautelosos em relação à continuação dessa recuperação cíclica ao estilo 'Cachinhos Dourados' e acreditamos que é ameaçada por [esses] três fatores pessimistas", escreveu a equipe liderada pelo estrategista global de renda variável Ben Laidler. "Pensamos que estamos em um mercado fundamentalmente preso a um intervalo, com baixo crescimento e rendimentos baixos dos títulos, mas ultrapassamos o topo desse intervalo."

Na opinião de Laidler, as bolsas globais terminarão o ano com recuo de 8 por cento devido à falta de impulso dos lucros e à queda dos múltiplos.

Este não é o primeiro surto de pessimismo de Laidler ultimamente.

Em entrevista à Bloomberg TV em 16 de maio, o estrategista disse que estava "com dificuldade para enxergar muito potencial de valorização no agregado" e que existiam "oportunidades melhores em algumas outras classes de ativos".

Expectativas exageradas para os lucros

Sem crescimento do PIB global de pelo menos 3 por cento em 2017 ? muito acima da previsão do HSBC ?, a história sugere não ser possível os lucros das empresas aumentarem a um ritmo de dois dígitos, como projetam os analistas.

É especialmente difícil apostar na concretização da expansão de lucros que está embutida na cotação das ações, diante da elevada incerteza quanto à política econômica nas principais regiões, especialmente no Reino Unido.

Múltiplos esticados

"A maioria do retorno das bolsas globais neste ano continua vindo da expansão de múltiplos, aumentando o prêmio até o padrão histórico para 20 por cento", escreveu o estrategista.

Assim, a razão entre preço e lucro do índice MSCI All Country World subiu para perto do maior nível em 10 anos, segundo o HSBC.

É a combinação de expectativas elevadas para os lucros e ações relativamente caras que torna ainda mais preocupante uma queda das ações, se as atuais projeções para os lucros se provarem muito ambiciosas.

"É preciso estar relativamente otimista com a perspectiva para os lucros para argumentar que as ações estão baratas em termos históricos", afirmou Laidler.

Entusiasmo dos investidores

O estrategista se junta a Tobias Levkovich, do Citigroup Inc., e Savita Subramanian, do Bank of America Merrill Lynch, no entendimento de que o sentimento dos investidores melhorou e, portanto, dificilmente vai oferecer impulso adicional às bolsas adiante.

Laidler sugere que o baixo nível do índice de volatilidade CBOE (conhecido popularmente como VIX), o otimismo dos hedge funds e a recuperação do índice do HSBC que mede o sentimento do mercado não são "ingredientes para contínuos avanços" das bolsas globais.

"Comparando as condições atuais àquelas anteriores às oito 'correções' observadas neste mercado em ascensão, acreditamos que os mercados subiram mais, estão mais caros, têm revisões mais fracas para os lucros e índice antecedente para a economia mais baixo", concluiu o estrategista.

No entanto, o HSBC mantém o peso acima da média para bolsas de mercados emergentes e também ficou mais otimista com as ações do Canadá, melhorando sua recomendação para peso neutro. Ademais, as características de "porto mais seguro" dos EUA também sustentarão as ações na maior economia do mundo, de acordo com o estrategista.

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