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Bancos buscam manter status quo com acordo sobre Brexit, dizem fontes

Richard Partington e Gavin Finch

(Bloomberg) -- Os maiores bancos do mundo estão pressionando a primeira-ministra britânica, Theresa May, a fechar um acordo provisório com a União Europeia para as instituições financeiras antes do início das negociações formais para a saída, segundo duas pessoas informadas sobre o assunto.

O acordo provisório buscaria manter o "passporting", ou seja, a capacidade de os bancos venderem produtos e serviços livremente na União Europeia, após o fim dos dois anos de negociações oficiais, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque o assunto é privado. A jogada pode ser irrealista porque os líderes europeus, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel, disseram diversas vezes que não participarão de negociações informais.

"Nosso princípio de que sem notificação não há negociação existe para proteger aqueles que permanecem unidos e não os que estão saindo", escreveu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, no Twitter, na quinta-feira. "Não vamos abrir mão disso".

Se não conseguirem status especial, grandes bancos de investimento internacionais podem começar a transferir equipes e operações do Reino Unido para outras partes da UE algumas semanas após May ter invocado o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que define o calendário de saída por um período de dois anos.

'Decisões indesejáveis'

"Quanto mais curto o cronograma, maior a probabilidade de que sejam tomadas decisões indesejáveis", disse Andrew Gray, chefe de Brexit para o setor de serviços financeiros britânico da PricewaterhouseCoopers. "Sem um diferimento dos direitos de passporting, algumas instituições podem começar a pedir licenças bancárias, a buscar aprovações regulatórias e a garantir espaço de escritório em outras partes, independentemente de o artigo 50 ter sido acionado".

Apesar da crise de 2008 e da recessão subsequente, o setor de serviços financeiros continua sendo a joia da coroa da economia britânica, respondendo por cerca de 10 por cento dela e proporcionando 2 milhões de empregos em todo o país.

Embora alguns países europeus estejam à espreita para atrair bancos de Londres para suas capitais financeiras quando o Brexit estiver concluído, as operações de muitos dos maiores bancos da região em Londres poderiam enfrentar transtornos. A decisão do Reino Unido, em referendo, de deixar a União Europeia não tem apenas o potencial de prejudicar o Reino Unido, mas também de minar a Europa e a estabilidade financeira global.

"O Brexit criou um elemento de incerteza, que é extraordinariamente importante para o Reino Unido, para a zona do euro, para a União Europeia e também para o mundo", disse o ex-presidente do Banco Central Europeu Jean-Claude Trichet em entrevista a Francine Lacqua na Bloomberg TV nesta sexta-feira, no Fórum Ambrosetti, em Cernobbio, Itália. "Vamos tornar a situação mais clara e ter certeza sobre o processo o mais brevemente possível".

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