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Traders reescrevem manual de fusões e aquisições na China

Fox Hu e Jonathan Browning

(Bloomberg) -- Os traders de ações na China estão reescrevendo o manual de fusões e aquisições.

Embora o bom senso sobre fusões e aquisições sugira que as ações de um comprador provavelmente cairão após a revelação de seus planos de aquisição, o oposto está acontecendo nos mercados chineses. As ações de possíveis compradores que revelaram nos últimos doze meses uma "grande reestruturação", codinome local para fusões e aquisições, registraram um ganho médio de 31 por cento em um mês, segundo dados sobre as 20 maiores transações chinesas compilados pela Bloomberg. O número se compara com uma queda de 4 por cento após declarações equivalentes nos EUA.

Nos mercados desenvolvidos, os traders tendem a vender as ações de um comprador por medo de que a administração pague demais, dependa de metas de crescimento excessivamente ambiciosas ou financie a aquisição de um modo que dilua os acionistas. Na China, que tem uma alta proporção de investidores individuais, a disposição para apostar em que as transações darão certo é maior, apesar das fortes medidas regulatórias contra informações enganosas sobre aquisições e das escassas evidências de que os compradores colhem benefícios no longo prazo.

A atitude dos investidores na China é que "se uma empresa vai fazer um negócio, então ela deve ganhar dinheiro", disse Joseph Chow, ex-chefe da divisão chinesa da Moelis & Co. e atual diretor da CJC Partners, uma assessoria financeira em Pequim. "Investidores individuais tendem a seguir o que lhes levam a acreditar."

Os ganhos nas ações de alguns compradores têm lógica, segundo Samson Lo, diretor de fusões e aquisições na Ásia do UBS Group em Hong Kong. Muitas empresas chinesas ganham mais valor com transações no exterior do que investindo em seu país, obtendo lucros no exterior para sustentar ou expandir suas atuais avaliações, disse Lo.

Comprar ações por causa de notícias de fusões e aquisições acarreta muitos riscos. Apenas sete das 20 maiores transações feitas na China nos últimos doze meses foram concluídas até agora. Enquanto isso, a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China (CSRC, na sigla em inglês) identificou receios com planos de aquisição enganosos e manipulação de informações privilegiadas. Os reguladores publicaram normas provisórias em junho na tentativa de garantir que os comunicados das empresas sejam genuínos.

No mês passado, a Fujian Jinsen Forestry foi multada pela CSRC por inflar a receita em um plano de aquisição divulgado em janeiro de 2015. O acordo foi anunciado inicialmente em 2014 e provocou uma disparada de 72 por cento nas ações das empresas em seis dias de trading. Em fevereiro do ano passado, a empresa descartou seu plano de "grande reestruturação" alegando desacordo no ajuste das condições da transação. A empresa e os executivos envolvidos "pedem desculpas sinceras a todos os investidores" pela irregularidade, afirmou a Fujian Jinsen em um documento de 19 de agosto. Dois telefonemas feitos para a secretaria do conselho da empresa não foram atendidos.

"Os investidores individuais correram para comprar ações pelas histórias sobre as transações, muitas das quais não se materializaram", disse Dai Ming, administrador de fundos da Hengsheng Asset Management em Xangai. A alta das ações após anúncios de aquisição provavelmente vai se moderar à medida que o órgão regulador enrijecer a supervisão, disse Dai.

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