Plano espacial de Israel explodiu com foguete SpaceX. E agora?

Yaacov Benmeleh

(Bloomberg) -- A explosão do valioso satélite Amos-6, na semana passada, na tentativa fracassada de lançamento de um foguete pela SpaceX, coloca um grande ponto de interrogação sobre a indústria espacial de Israel.

A Space Communication, empresa israelense que operaria o Amos-6, ainda está se recuperando e decidindo o que fazer a seguir. O governo formulará um programa espacial nacional de longo prazo e poderá ajudar a desenvolver um satélite de comunicação, disse o Ministério da Ciência na noite de domingo, após reunião de emergência com representantes das empresas espaciais do país.

O acidente de 1º de setembro em Cabo Canaveral, na Flórida, foi o maior revés do programa espacial de Israel desde a morte de um astronauta, o coronel Ilan Ramon, no desastre do ônibus espacial Columbia em 2003.

O revés ameaça o acordo entre a Space Com e a chinesa Beijing Xinwei Group para o controle da companhia, mas representa uma oportunidade para a Israel Aerospace Industries (IAI), a fabricante de armas estatal que construiu o Amos-6. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode alocar parte do total estimado de US$ 300 milhões para pagar a IAI para que construa outro satélite para a Space Com, sua única cliente para produtos desse tipo, mas primeiro precisa decidir se os satélites são um setor de importância estratégica nacional.

"Trata-se de uma experiência traumática para o setor, mas que nos permite ter essa discussão que deveria ter ocorrido há 10 ou 15 anos", disse o CEO da IAI, Yossi Weiss, no domingo.

Política de governo

Segundo ele, o governo precisará investir até US$ 50 milhões por ano se quiser estimular a competitividade de Israel frente às empresas espaciais internacionais. A IAI poderia oferecer preços comparáveis aos de seus pares americanos e europeus se o governo dividisse os custos de desenvolvimento, disse Weiss.

O governo pode tentar construir um novo satélite e manter a independência do setor espacial de Israel, segundo Tal Inbar, chefe do centro de pesquisa espacial e de veículos aéreos não tripulados do Instituto Fisher para Estudos Estratégicos Aéreos e Espaciais, com sede em Herzliya, Israel.

Conservar o setor espacial no país protege Israel de ativistas pró-palestinos que exercem pressão política sobre empresas estrangeiras para que deixem de fazer negócios com Israel, disse Inbar. Os satélites também servem de suporte à infraestrutura de comunicação de Israel na eventualidade de guerra ou de mau funcionamento técnico, acrescentou.

"Existe uma sinergia no triângulo entre a Space Com, sua maior cliente e sua fornecedora, pelo fato de serem todas empresas israelenses", disse Inbar, em entrevista. "Elas se entendem e seriam sensíveis umas às outras, a tal ponto que poderiam corrigir os problemas do satélite, se necessário, rapidamente".

A Space Com disse em um comunicado, no domingo, que são devidos à empresa US$ 294 milhões em indenização após o acidente. A empresa disse que está negociando com a Xinwei formas de corrigir o acordo de venda. A porta-voz da empresa chinesa disse na segunda-feira que não poderia comentar o assunto imediatamente.

O CEO da Space Com David Pollack disse em uma teleconferência no domingo que a empresa está à procura de um provedor de satélite alternativo e seria capaz de lançar um novo satélite em cerca de dois anos. Um acordo com o Facebook para utilizar o Amos-6 para fornecer conexão de internet na África subsaariana foi cancelado, mas a empresa ainda será capaz de honrar seus compromissos financeiros, disse ele.

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