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'Homem mais odiado do esporte' tenta levar espectadores à Fox

Lucas Shaw

(Bloomberg) -- Ao gravar um anúncio promocional de seu novo programa de TV em uma barbearia de Los Angeles, o comentarista esportivo mais polêmico dos EUA provocou uma discussão, obviamente. Lá estava Skip Bayless, provocando indignação ao insistir que o quarterback do Green Bay Packers, Aaron Rodgers, é superestimado. Um campeão do Super Bowl! Que já ganhou o título de jogador mais valioso da liga! Barbeiros e clientes estavam furiosos.

É exatamente esse tipo de sacrilégio esportivo que Bayless usa para deixar os espectadores entusiasmados e indignados. O ex-colunista de jornal de 64 anos, considerado "o homem mais odiado dos esportes" pelo Washington Post, usou sua astúcia, sua ética de trabalho e sua paixão vitalícia pelas discussões para fazer carreira como um dos comentaristas esportivos mais famosos dos EUA. Após 12 anos na ESPN, Bayless embarca agora em seu maior desafio até o momento: bater de frente com sua antiga empregadora, a mais rentável das gigantes de mídia do mundo.

Bayless se juntou ao ex-produtor Jamie Horowitz no Fox Sports 1, uma emissora de TV a cabo criada há três anos que está pagando a ele US$ 5,5 milhões por ano, segundo a Sports Illustrated. Com os resultados e os melhores momentos circulando instantaneamente por aplicativos e redes sociais, Horowitz aposta que as grandes personalidades são a base dos canais esportivos de cabo do futuro, uma estratégia que lembra a forma como a Fox News desbancou a CNN como o canal de notícias de maior audiência.

Bayless é a peça central desse esforço para colocar a Fox Sports 1 no radar: um provocador de personalidade populista, no mesmo estilo de Bill O'Reilly, da Fox News. Junto com a antiga estrela da NFL Shannon Sharpe, ele apresentará o "Undisputed: Skip and Shannon", um talk show matinal que estreará na terça-feira e será transmitido ao mesmo tempo que o "First Take", o programa que ele transformou em sucesso na ESPN.

"Estamos escalando o Everest aqui", disse Bayless, em entrevista. "Estou desafiando o gigante que ajudei a construir".

Para atrair espectadores e anunciantes, os canais esportivos apostam principalmente nos eventos esportivos. Enquanto a Fox ampliou sua emissora de TV a cabo ao garantir os direitos do Ultimate Fighting Championship, da Major League Baseball e dos esportes universitários, a ESPN tem uma vantagem de três décadas, uma montanha de dinheiro e acordos com a NFL e a NBA.

Eventos esportivos são caros, por isso as emissoras de TV a cabo preenchem a maior parte do horário com programas de estúdio e documentários. É nesses segmentos que o Fox Sports 1 vê uma oportunidade para tirar espectadores da ESPN.

Jornalistas esportivos e críticos de mídia criticaram o "First Take" e Bayless por seus comentários fúteis, que desvalorizam o diálogo. Ele desqualifica os críticos, chamando-os de "blogueiros insignificantes", e a Fox aposta que o estilo dele é a melhor maneira de fazer televisão.

"O que eles faziam não estava funcionando", disse o consultor de mídia esportiva Chris Bevilacqua sobre o Fox Sports 1. "É bom que eles estejam dispostos a tentar algo novo e é muito mais barato apostar nisso do que comprar mais direitos de transmissão ao vivo".

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