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Contágio de ativos é pior que em 2008 com dominância dos juros

Lu Wang

(Bloomberg) -- Aos gestores de recursos que sentem que está mais difícil do que nunca diversificar seus fundos: vocês não estão imaginando coisas.

Um bom exemplo disso é um índice calculado pelo Credit Suisse conhecido como indicador de contágio cruzado no mercado, que acompanha as relações entre os preços de ações, títulos, moedas e commodities.

Este indicador mostra que a influência de determinados mercados sobre os outros em 2016 está no maior nível desde sua criação, em 2008. O indicador avalia quanto os movimentos em um mercado são explicados estatisticamente por movimentos em outro mercado.

Os dados ilustram as interconexões entre mercados globais e talvez reflitam o impacto crescente das medidas dos bancos centrais sobre os preços dos ativos. O aumento das correlações preocupa. Diante da queda dos lucros das empresas dos EUA e da elevação dos múltiplos das ações, muitos céticos argumentam que a única explicação para os recordes nas bolsas americanas nos últimos meses é a política do Federal Reserve.

"Os juros estão definindo tudo", afirmou Mark Connors, responsável global por assessoria de risco do Credit Suisse, em Nova York. "No mínimo, é preciso ter ciência da influência dos bancos centrais. O que está movendo o mercado é a demanda por rendimento e retorno. A análise fundamental não explica avanço a partir daqui."

O Credit Suisse monitora o desempenho de diversos ativos por meio de 21 fundos negociados em bolsa e usa um modelo chamado análise do componente principal para definir o quanto os mercados se influenciam entre si. O índice de contágio da instituição bateu recorde no fim de junho, em 75%, após a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

Embora tenha recuado desde então, a média do indicador em 2016 é de 65%, marcando o segundo ano de aumento, após atingir um piso de 57% em 2014. Títulos do Tesouro americano e títulos com grau de investimento - os ativos mais sensíveis a flutuações nos juros - são as classes de ativos de maior influência em 2016.

A correlação elevada destaca o perigo de ondas de vendas simultâneas quando os bancos centrais tomam medidas de aperto monetário. Mais preocupante é o potencial de oscilações violentas nas relações entre mercados, que dificultaria os ajustes por fundos quantitativos, de acordo com Marko Kolanovic, responsável global por estratégia quantitativa e de derivativos no JPMorgan Chase & Co., em Nova York.

Os traders de perfil computadorizado -- que baseiam suas decisões em sinais de mercado, como volatilidade ou tendência de preço, em vez de lucros ou desempenho da economia - vêm tentando lidar com oscilações sem precedentes nas relações entre ativos.

Por exemplo, a correlação entre a taxa de câmbio euro/dólar e o índice S&P 500 pulou para 75% com a vitória do Brexit e desde então se reverteu para menos 60%, de acordo com dados do JPMorgan. A correlação da ação média desabou para 10% em agosto, após ultrapassar 70%.

"Essas oscilações recordes nos níveis de correlação entre ativos apontam para elevada incerteza macroeconômica, que dificulta a alocação de ativos", escreveu Kolanovic em relatório enviado a clientes na quarta-feira. "Essa grande instabilidade das correlações torna mais difícil projetar e fazer hedge do risco de uma carteira de múltiplos ativos e de estratégias como a paridade de risco."

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