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Por que empresas estão abandonando creches no trabalho?

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- Em um dia de trabalho qualquer, até 85 crianças correm pela sede da Patagonia em Ventura, na Califórnia. A empresa, que comercializa equipamentos para esportes ao ar livre, oferece creche no local do trabalho e programas para depois da escola aos filhos de até 8 anos de seus 550 funcionários.

"É imprescindível ter os filhos no local de trabalho", disse Dean Carter, vice-presidente de recursos humanos da Patagonia. "Eu escuto uma criança rindo e brincando e isso alivia um pouco o estresse, deixa o clima mais leve", disse ele.

A Patagonia estima o custo do programa em US$ 1 milhão por ano, mesmo após o recolhimento de taxas dos pais e de uma dedução fiscal anual de US$ 150 mil. Mas assim como outros benefícios positivos para as famílias, a creche oferece altos retornos em termos de retenção e engajamento de funcionários, um ponto que a empresa defende em um novo e luxuoso livro de 400 páginas intitulado "Family Business: Innovative On-Site Child Care Since 1983". "Uma das razões pelas quais escrevemos o livro é defender a vantagem comercial do programa", disse Carter.

Contudo, diferentemente de outros benefícios familiares que estão em ascensão -- como licença parental remunerada --, a creche no ambiente de trabalho está à beira da extinção.

Apenas 3% das organizações oferecem serviços de creche subsisem subsídios, segundo a pesquisa de benefícios de 2016 da Sociedade de Recursos Humanos (SHRM, na sigla em inglês). A fatia é inferior à de 9% de 1996. "Acho que é um benefício vantajoso, com o qual muitas pessoas gostariam de contar", disse Tanya Mulvey, pesquisadora da SHRM.

Os funcionários da Patagonia sem dúvida desfrutam disso. Para os pais, a creche na empresa é a maior das comodidades. Eles fazem refeições com seus filhos e as mães podem levar bebês que estão sendo amamentados para reuniões ou interagir com eles em suas mesas.

Funcionários sem filhos parecem não se importar com o que alguns poderiam chamar de interrupções no ambiente de trabalho, afirma Carter. Recentemente, quando uma lagarta decidiu se transformar em borboleta no escritório, um grupo de crianças empreendedoras pendurou dois grandes cartazes para alertar quem passasse por ali. "Seu dia fica melhor quando você desvia da crisálida de uma borboleta", disse Carter.

Soa idílico, mas as creches de empresas são um setor complicado e altamente regulado, e a Patagonia teve mais de 30 anos para desenvolver seu programa. Além disso, cada estado dos EUA tem seu próprio conjunto de regras em relação às proporções entre cuidadores e crianças. "A quantidade de cuidadores de crianças é de uma proporção bastante baixa", disse Selena Bael, que tentou criar um espaço de cooperação com creche.

"Há certo medo de que o empregador não tenha retorno com a creche, que não possa antecipar alguma possível responsabilização", admitiu Carter. Mas a Patagonia afirma que recupera 91% de seus custos totais. E não se pode colocar preço na possibilidade de criar protótipos de roupas infantis usando, a qualquer momento, 85 manequins vivos.

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