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Quatro possíveis resultados da reunião entre a Opep e a Rússia

Angelina Rascouet

(Bloomberg) -- Uma reunião no fim de setembro em Argel entre a Opep e a Rússia -- que juntas extraem mais de metade do petróleo mundial -- elevou as expectativas de que se possa fechar um acordo para dar um impulso aos preços.

O petróleo continua sendo negociado à metade do preço de 2014 porque o excesso de oferta mundial persiste.

Embora um declínio da produção nos EUA tenha ajudado a reduzir a abundância e os preços tenham subido mais de 25%, estoques abarrotados no mundo inteiro mantiveram o barril de petróleo bruto a menos de US$ 50, valor baixo demais para que muitos produtores consigam equilibrar o orçamento.

Após dois anos com uma estratégia de extração total encabeçada pela Arábia Saudita, adotada para proteger a participação no mercado frente à disparada do petróleo de xisto dos EUA, a Organização de Países Exportadores de Petróleo e a Rússia estão voltando a negociar uma cooperação.

A última tentativa de fazer isso -- uma proposta de congelamento da produção feita em abril -- teve um desfecho frustrante por causa da rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irã.

As negociações em Argel podem produzir quatro resultados.

Congelamento da produção

Um congelamento da produção da Opep e da Rússia seria a forma mais eficaz de estabilizar o mercado, disse Alexander Novak, o ministro de Energia da Rússia, em entrevista coletiva junto com seu par saudita na cúpula do G-20, na China, no dia 5 de setembro. Novak disse que seu país está pronto para limitar a produção no patamar de qualquer mês do segundo semestre deste ano, período que até agora registrou volumes recorde tanto da Rússia quanto da Opep.

O principal obstáculo para o congelamento nos níveis atuais seria fazer com que a Nigéria, a Líbia e o Irã concordassem, segundo a consultoria Capital Economics, com sede em Londres. A produção desses países foi severamente limitada nos últimos anos e todos eles esperam retomar a produção perdida. Divergências políticas paralisaram os campos líbios, o Irã ainda está restabelecendo as exportações interrompidas por sanções contra seu programa nuclear e grupos armados atacaram a infraestrutura petrolífera da Nigéria.

Congelamento com isenções

"Se falarem em congelar nos níveis atuais, mas fazendo concessões ao Irã, à Nigéria e à Líbia, então na prática o congelamento seria feito com dois milhões de barris acima do patamar atual", disse Thomas Pugh, economista de commodities da Capital Economics, em entrevista por telefone.

Nesse cenário, teoricamente a Opep poderia chegar a extrair 36,2 milhões de barris por dia no ano que vem, cerca de 2,7 milhões de barris diários acima da estimativa de demanda em 2017 pelo petróleo do grupo feita pela Agência Internacional de Energia. É um excedente maior que o de 2015, ano em que os preços do petróleo caíram mais de um terço.

Redução da produção

Em alguns casos, a Opep superou divergências internas e concordou com medidas radicais. A mais notável delas foi cortar a produção durante a crise financeira de 2008.

Ajustes anteriores funcionaram porque a Arábia Saudita arcou com a maior parte do fardo, disse Spencer Welch, diretor de mercados, refino e comercialização de petróleo da IHS Markit em Londres. Agora, o reino "deixou bem claro que já não está disposto a sustentar os preços sozinho", disse ele.

Uma redução é o cenário mais improvável, disse Pugh, da Capital Markets. Se acontecesse, teria o maior impacto nos mercados e "os preços disparariam", disse ele.

Nada

O cenário mais provável é que as negociações não resultem em nenhuma diminuição da oferta, disse Pugh.

Pode haver certos riscos para a Opep se mais uma vez ela não conseguir chegar a um acordo, disse David Fyfe, diretor de pesquisa e análise de mercados na trader de petróleo Gunvor Group. "Em algum ponto, vale a lei dos rendimentos decrescentes, quando se fala constantemente em um acordo sobre a produção, mas na verdade não se chega a nenhum", disse ele.

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