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Faminta por investimentos, Argentina pede nova chance a CEOs

Charlie Devereux

(Bloomberg) -- O presidente Mauricio Macri enxerga o investimento estrangeiro como a chave para a prosperidade econômica da Argentina. Nesta semana, ele tentará convencer os homens de negócios do mundo de que eles também deveriam compartilhar dessa visão.

O presidente convidou os CEOs da Siemens, da Coca-Cola e da Dow Chemical, além de outros 2.000 investidores, a se reunirem com todo o seu gabinete em um fórum de três dias em Buenos Aires, que começa na terça-feira, para mais uma vez promover a ideia de que a Argentina virou uma nova página após 12 anos de protecionismo e beligerância sob os governos de seus antecessores, os Kirchner.

Trata-se de uma ideia difícil de vender. A economia está em recessão desde meados de 2015, as demissões empurraram a taxa de desemprego para 9,3% e a inflação está a uma taxa anualizada de 44%.

Após uma breve lua de mel, Macri está batendo de frente com os sindicatos devido aos reajustes salariais e tentativas de aumentar as tarifas de gás --após 14 anos de subsídios-- barradas pela Suprema Corte.

Acima de tudo, economistas e investidores dizem que embora Macri tenha avançado ao reverter as políticas populistas dos Kirchner, o país ainda carece de uma estrutura jurídica que crie um ambiente seguro para os negócios.

"Temos um longo histórico de governos muito populistas e mudar isso é como mudar o código genético de algumas gerações", disse Luis Secco, chefe de gabinete do Banco de La Nación, que é estatal, em entrevista, em Buenos Aires. "Até agora o governo tem se concentrado bastante nos problemas macro. O próximo passo deve ser a estrutura regulatória e institucional".

Impressionar os investidores

O que Macri pode fazer agora é impressionar os investidores que não foram exatamente bem-vindos na Argentina por mais de uma década. Ele escolheu fazer isso em uma das maravilhas arquitetônicas de Buenos Aires, um ícone da prosperidade do início do século 20, que ironicamente os Kirchner rebatizaram com seu nome.

O Centro Cultural Kirchner, uma antiga sede do serviço de correio, "provavelmente foi escolhido de propósito para mostrar às pessoas que o governo atual está tentando substituir antigas políticas", disse Alejo Czerwonko, estrategista de investimento em mercados emergentes do UBS Wealth Management. "Que lugar melhor para mostrar o contraste entre o novo e o velho do que esse prédio em particular?".

Desde a posse, em dezembro, após uma eleição acirrada, Macri levantou controles cambiais e resolveu uma disputa de uma década com credores insatisfeitos com os acordos para o calote de 2001, trazendo uma enxurrada de dólares para o país. Ele também está próximo de convencer o Fundo Monetário Internacional de que as estatísticas econômicas do país voltaram a ser confiáveis.

A inflação já está perdendo força e há sinais de que o fim da recessão está próximo, escreveu Macri, em uma coluna publicada no domingo no jornal Clarín.

"O Fórum é mais um sinal da confiança do mundo nessa nova etapa da Argentina", escreveu Macri. "Uma etapa de sensatez, de regras de jogo claras e de maior integração com o mundo".

Mas o governo reconhece que ainda há algum caminho a percorrer para moldar uma cultura empresarial que satisfaça os investidores e promova um crescimento sustentável.

"Isso não era óbvio em dezembro, mas a parte mais fácil era levar a Argentina de volta aos mercados financeiros e colocá-la na moda -- e eu acho que conseguimos", disse o secretário de gabinete, Mario Quintana, em entrevista no palácio presidencial, em Buenos Aires. "A parte difícil será realizar todas as mudanças estruturais que nos permitirão deixar a volatilidade para trás".

Mas o dinheiro real dos investimentos estrangeiros diretos tem tido mais dificuldade para chegar porque a recordação dos sete calotes dados pelo país em 200 anos se mantém e os riscos regulatórios profundamente enraizados persistem.

No site do Ministério da Fazenda e Finanças, são contabilizados US$ 32,5 bilhões em promessas de investimentos desde dezembro, mas dados do Banco Central mostram que o país recebeu, de fato, apenas US$ 1,3 bilhão nos seis primeiros meses de 2016.

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