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Frankfurt pode facilitar demissão de executivos após Brexit

Birgit Jennen

(Bloomberg) -- Na disputa para conquistar os executivos dos bancos de Londres depois do Brexit, Paris enfatiza sua oferta cultural e culinária, Amsterdã sua conectividade digital e Dublin o fato de falar inglês. Frankfurt oferece a facilidade para demitir executivos.

Hesse, estado alemão onde fica o centro financeiro do país, está analisando maneiras de flexibilizar os direitos trabalhistas para permitir que os bancos demitam com facilidade os funcionários com salários altos em uma recessão -- algo que os bancos podem fazer no Reino Unido.

O ministro das Finanças, Thomas Schaefer, disse que isso poderia tornar Frankfurt mais atraente para os bancos que estão pensando em se mudar de Londres.

"Os britânicos dizem: 'Se contratamos os mais bem remunerados nas épocas de prosperidade, temos que ser capazes de reduzir rapidamente nosso quadro de funcionários com salários altos quando a prosperidade é interrompida de repente'", disse Schaefer, membro da União Democrata Cristã, partido da chanceler Angela Merkel, em uma entrevista. "Com certeza é possível abrir mão de leis estritas sobre a demissão daqueles que ganham uma quantidade significativa de dinheiro".

Apesar de que provavelmente demore anos para o Reino Unido realmente sair da União Europeia, o Brexit poderia ameaçar a capacidade do setor financeiro da City de fazer negócios com o bloco. Por isso, Frankfurt e pelo menos meia dúzia de outras cidades europeias estão tentando seduzir os bancos que poderiam transferir unidades após a decisão do Reino Unido, em referendo em junho, de sair da UE.

"Precisamos nos adiantar à situação em relação ao Brexit antes que outras cidades, como Paris e Milão, façam isso", disse Uwe Becker, vice-prefeito e tesoureiro de Frankfurt.

Os direitos trabalhistas na Alemanha tornam difícil fazer cortes nas bases, independentemente do que ganham, mas permitem demitir com mais facilidade os executivos da diretoria. O ministro Schaefer sugere ampliar a flexibilização das leis para todos os mais bem remunerados, aqueles que têm salários anuais de mais de 300.000 euros (US$ 339.000).

A Associação de Bancos Estrangeiros em Frankfurt lançou a ideia de um período de carência de três a cinco anos durante o qual os cargos que tiverem sido transferidos de Londres seriam regidos pelas leis britânicas.

"Quando nos reunimos com CEOs e equipes do Brexit, eles nos perguntam sobre as nossas leis trabalhistas", disse Eric Menges, presidente da FrankfurtRheinMain, um órgão semi-governamental que fomenta o desenvolvimento de negócios na região. "Eles têm medo dos contratos alemães".

O problema é que qualquer modificação teria que ser realizada em nível nacional e o Ministério do Trabalho da Alemanha, que é responsável pelas leis trabalhistas, é comandado pelos sociais-democratas, que têm vínculos estreitos com os sindicatos. A ministra do Trabalho, Andrea Nahles, não tem planos de alterar as regulamentações de proteção ao trabalhador, de acordo com um porta-voz do Ministério.

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