Investidores duvidam que Fed eleve juros após último discurso

Rebecca Spalding

(Bloomberg View) -- Antes da reunião que acontecerá na semana que vem, o mercado de títulos está sinalizando um ceticismo cada vez maior em relação à perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) aumente as taxas de juros.

Os traders reduziram suas apostas em um aumento em setembro depois que Lael Brainard, governadora do Fed e última agendada para discursar antes da reunião nos dias 20 e 21 de setembro, disse que a prudência se justifica porque aumentar os custos do crédito acarreta riscos. Os comentários surpreenderam os investidores que vinham se preparando para um sinal de que o banco central iria elevar os juros. A chance implícita no mercado de uma alta em setembro caiu para 22 por cento, com base na suposição de que a taxa efetiva estará no meio da nova faixa alvo. Antes dos comentários, essa chance era de 28 por cento.

Traders de títulos vêm tentando decifrar os sinais das autoridades monetárias desde que a presidente do Fed, Janet Yellen, reanimou as expectativas para um aumento em 2016 com comentários feitos em agosto. Na semana passada, o presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, disse que havia argumentos razoáveis para um ajuste gradual. Na segunda-feira, seu par em Atlanta, Dennis Lockhart, reiterou o pedido de "discutir seriamente" um aumento neste mês.

"Todos receberam uma carga muito grande de sinais hawkish nas últimas semanas", disse Blake Gwinn, estrategista de taxas para os EUA da RBS Securities, um dos 23 dealers primários do Fed, em Stamford, Connecticut. "De modo algum a questão está resolvida para uma alta em setembro".

Recuperação leve

Os comentários de Brainard desencadearam uma leve recuperação dos títulos do Tesouro dos EUA depois que a dívida de governos do mundo inteiro despencou na semana passada, quando o Banco Central Europeu surpreendeu os traders ao adiar a implementação de mais estímulos. O baque serviu de alerta após semanas de queda da volatilidade. As notas dos EUA com vencimento em 10 anos encerraram a semana passada com os dois piores dias desde julho, em um declínio que elevou os rendimentos em 0,14 pontos percentuais.

Uma agenda de leilões sem precedente tornou a segunda-feira ainda mais complexa para os traders de títulos. O Departamento do Tesouro vendeu US$ 24 bilhões em notas com vencimento em três anos e US$ 20 bilhões em dívida com vencimento em 10 anos às 13 horas, horário de Nova York. Embora o governo já tenha emitido obrigações com vencimentos diferentes no mesmo dia, os encerramentos simultâneos foram inéditos para as vendas de notas com cupons, disse Aaron Kohli, da BMO Capital Markets, outro dealer primário.

A demanda pelas notas com ambos os vencimentos na segunda-feira foi mais fraca que o normal, conforme indica a razão de cobertura das propostas, que foi de 2,35 para a venda das notas com vencimento em 10 anos e de 2,77 para as notas com vencimento em três anos, abaixo da média das últimas dez vendas.

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