JPMorgan aposta em emergentes na retirada de estímulos nos EUA

Lyubov Pronina e Cecile Gutscher

(Bloomberg) -- A onda de valorização dos títulos de dívida, embalada por uma década de estímulos, pode estar perdendo fôlego no mundo desenvolvido. Mas em alguns dos maiores mercados emergentes, os incentivos apenas começaram.

Com os últimos dias dos juros próximos de zero do banco central dos EUA (Federal Reserve) chacoalhando os mercados, JPMorgan Chase, Pacific Investment Management Co. e Société Générale estão prestigiando os títulos de países que agora promovem suas próprias medidas de estímulo.

Seus eleitos são Brasil, Indonésia e Rússia, onde, segundo as previsões, serão realizados os maiores cortes de juros ao longo do próximo ano.

A perspectiva de flexibilização monetária ajudará a valorização dos títulos nos mercados locais, após a entrada recorde de recursos ter derrubado os rendimentos das dívidas de países em desenvolvimento para o menor nível em pelo menos seis anos no mês passado.

Em 4,29%, o rendimento é quase quatro pontos percentuais maior do que a média para os integrantes do Grupo dos Sete, de acordo com índices da Bloomberg.

"Gostamos do segmento de alto rendimento dos títulos locais de mercados emergentes porque há suporte fundamental da queda da inflação e dos bancos centrais, que estão iniciando ou no meio de ciclos de flexibilização", disse Jonny Goulden, responsável por pesquisa de dívida local de mercados emergentes do JPMorgan, em Londres.

"Mesmo se o Fed subir lentamente, as taxas brasileiras e russas provavelmente estarão diminuindo, à medida que a inflação cai nesses países."

O JPMorgan aconselha os clientes a adotar exposições maiores do que sugerem as referências para títulos emitidos em moeda local por Brasil, Colômbia, Rússia e Indonésia. Estrategistas do Société Générale também recomendam títulos públicos em moeda local de Rússia, Brasil e Índia, além de títulos denominados em dólares emitidos por Brasil, Colômbia e Indonésia.

Na Rússia, a inflação recuou para o menor nível em mais de dois anos. De acordo com pesquisas da Bloomberg, isso dará ao banco central espaço para cortar a taxa básica de juros em 50 pontos-base para 10% na reunião que acontecerá na sexta-feira e em mais 200 pontos-base até setembro de 2017.

Oportunidade para aumentar

Para o Brasil, a expectativa também é de que a taxa básica de juros comece a cair a partir do patamar de 14,25% em que se encontra há mais de um ano. Até o fim do ano que vem, os economistas preveem redução de 300 pontos-base em resposta à desaceleração dos preços ao consumidor.

"Gostamos da situação no Brasil, onde o banco central procura as condições certas para cortar os juros", disse Lupin Rahman, gestor de carteiras de mercados emergentes da Pimco, em Londres.

Os títulos emitidos por Argentina, Brasil e Indonésia são os preferidos do gestor Viktor Szabo, que ajuda a administrar US$ 11 bilhões em dívidas de mercados emergentes na Aberdeen Asset Management, em Londres.

"Fraqueza adicional criaria uma oportunidade para aumentar, mas estamos longe desses níveis", disse Szabo.

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