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Fundos apostam em ativos de risco que lembram crise financeira

Alastair Marsh e Tom Beardsworth

(Bloomberg) -- Em um mundo com taxas de juros baixíssimas e títulos com rendimentos negativos, talvez isso estivesse prestes a acontecer.

Produtos que são sinônimos da crise do crédito como "obrigações de dívida garantida" e "securitização sintética" estão voltando à medida que os investidores assumem mais riscos enquanto os bancos são obrigados pelos reguladores a reduzi-los.

Um dos maiores fundos de pensão da Europa se expôs a ser o primeiro a sofrer prejuízos com uma carteira de 8,4 bilhões de euros (US$ 9,5 bilhões) em empréstimos corporativos em troca da possibilidade de um retorno de dois dígitos, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto.

Embora o fundo holandês em questão, o PGGM, afirme que é especialista neste tipo de investimento, esse é o mais novo exemplo de investidores que procuram rendimentos mais altos com produtos complexos que eram populares no último boom do crédito. Eles ampliaram as perdas quando os mercados paralisaram, o que levou o Lehman Brothers à falência há oito anos.

Em um reflexo daquela época nos EUA, a Anchorage Capital Group reuniu papéis corporativos e empréstimos de grau especulativo em um único título que depois recebeu nota AAA e foi vendido no mercado em julho.

"A busca por rendimentos sem dúvida estimula a criação desses instrumentos que ajudaram a provocar a crise financeira", disse Tracy Chen, administradora de recursos e diretora de crédito estruturado na Filadélfia da Brandywine Global Investment Management, que administra US$ 70 bilhões. "Isso vai acabar mal".

O PGGM administra cerca de 200 bilhões de euros, as poupanças para a aposentadoria de enfermeiros e trabalhadores sociais da Holanda.

O fundo comprou risco nos empréstimos por meio de uma securitização sintética, um produto criado especificamente para a transação com o Nordea Bank, segundo as pessoas familiarizadas com a transação. Elas pediram anonimato porque não estão autorizadas a falar sobre o assunto.

O credor escandinavo reuniu swaps de crédito, instrumentos que na prática servem de apólices de seguro contra mutuários que não conseguem pagar os empréstimos. Um porta-voz disse que a transação foi feita com um consórcio, mais não identificou os investidores.

Ele não quis comentar quais empréstimos foram incluídos nem os juros que estão pagando, só observou que instrumentos similares na Europa oferecem uma faixa de 10% a 12%. Rodney Alfven, diretor de relações com investidores do Nordea, disse no mês passado que "não há riscos ocultos" nessas transações.

Prejuízos

Embora seja difícil avaliar o tamanho do mercado, transações recentes do Standard Chartered e do banco espanhol Santander sugerem que ele está crescendo, disse Ruben van Leeuwen, analista do Rabobank em Utrecht. "Eu me preocuparia se investidores menos sofisticados começassem a investir nesses segmentos onde eles seriam os primeiros a sofrer prejuízos", disse ele.

Um investidor tão sofisticado quanto a Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, teve que pagar centenas de milhões de dólares por produtos semelhantes durante a crise financeira, quando os pedidos de concordata atingiram recordes.

A American International Group, que era a maior seguradora do mundo, foi destruída por suas apostas em derivativos de crédito porque a empresa não conseguiu pagar as exigências de garantia dos sócios comerciais depois que os preços da dívida subjacente afundaram.

"Os investidores estão tomando decisões de valor relativo em contraste com o que está disponível no mercado", disse Katherine Frey, diretora administrativa de finanças estruturadas da Moody's Investors Service em Londres. "Eles estão sendo pagos pelo risco? Essa é uma pergunta muito difícil de responder".

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