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Opinião: É hora da Libor enfrentar alguma concorrência

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(Bloomberg) -- Em 2012, a referência de taxa de juros ofertada pelos bancos em Londres, a Libor, entrou nas manchetes internacionais quando surgiu a notícia de que operadores conspiravam para manipulá-la. Ficou claro que o sistema estava estragado e teria de ser consertado. Quatro anos depois, os consertos não terminaram.

Diante do que está em jogo, as autoridades reguladoras fazem bem em proceder com cautela. Dito isso, é preciso haver progresso --não tanto na direção de reparar a Libor, mas na direção de criar uma alternativa.

A Libor é construída por meio da sondagem aos bancos sobre os juros aos quais podem tomar empréstimo, em diversas moedas e diversos prazos de vencimento. Há muito tempo desempenha papel crucial na definição dos custos de crédito e na gestão de riscos.

As instituições financeiras usam a Libor para garantir que os pagamentos referentes a empréstimos imobiliários e corporativos subam ou diminuam junto com seus custos de captação. Os investidores usam a Libor para apostar nas variações de juros. É a referência para aproximadamente US$ 350 trilhões em dívidas e derivativos e esses contratos, em grande parte, serão válidos por décadas.

As autoridades se concentraram em impedir que os bancos submetam taxas falsas para o cálculo da Libor, impondo penalidades mais duras, diretrizes mais claras de divulgação de informações e um novo órgão administrador.

Sem dúvida, isso tudo melhorou o sistema.

Porém, nem as reformas mais bem pensadas podem tratar o problema central: os bancos simplesmente não realizam boa parte da captação de curto prazo em grande escala que a Libor se presta a acompanhar.

Durante o segundo semestre de 2015, cerca de 30 por cento apenas das submissões para a taxa de empréstimo em dólar por três meses se baseavam em transações de fato. O resto era estimativa, permitindo que os bancos fizessem cálculos convenientes ou seguissem a maioria para não chamar atenção. Não é a melhor fórmula para uma referência confiável.

Um grupo de autoridades reguladoras e participantes do mercado, liderado pelo banco central americano (Federal Reserve), tem trabalhado em uma alternativa (processo do qual a Bloomberg LP participou). Idealmente, essa alternativa dependeria de transações observáveis que não seriam interrompidas em uma crise (como foram interrompidos os empréstimos interbancários em 2008).

Entre as propostas mais promissoras está o instrumento de recompra de garantia geral, mercado no qual tomadores de empréstimo como bancos e hedge funds tomam recursos de curto prazo usando como garantia os títulos do Tesouro americano. Centenas de bilhões de dólares em empréstimos desse tipo são concedidos todo dia e a qualidade da garantia atenuaria os choques sobre o mercado.

No entanto, na situação atual, o mercado de recompra não está pronto porque ninguém está reunindo todos os dados necessários para produzir uma taxa de referência. Também existe um problema do tipo que questiona se vem primeiro o ovo ou a galinha. Os investidores não se interessarão por empréstimos e instrumentos financeiros vinculados a uma nova referência, a menos que existam derivativos disponíveis para hedge, e os derivativos necessários não serão fornecidos até que os empréstimos e instrumentos sejam emitidos.

Esses obstáculos podem ser superados. O primeiro passo é coletar mais dados sobre o mercado de recompra, o que já deveria ter acontecido. Isso daria às autoridades reguladoras melhor entendimento sobre a tomada de riscos no sistema financeiro e fundamento para uma nova métrica dos custos de captação. Se uma taxa de recompra transparente e confiável for estabelecida, será mais fácil ganhar aceitação do mercado.

Apesar dos defeitos, a Libor mantém suas vantagens, começando pela base de usuários amealhada ao longo de décadas. Ainda assim, os mercados financeiros e os clientes que dependem deles estariam melhor servidos se a Libor não fosse a única opção.

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