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Barclays e BNP apostam em alta de juros do Fed

Brian Chappatta

(Bloomberg) -- Há uma discordância incomum nas filas dos dealers primários do Federal Reserve (Fed) em relação à decisão que o banco central tomará sobre taxas de juros nesta semana.

Dois dos 23 sócios de trading de títulos preferenciais do Fed - o Barclays e o BNP Paribas - apostam contra seus pares e o mercado de títulos projetando que as autoridades subirão os juros na quarta-feira. É a primeira vez que mais de um dealer vai contra o consenso na semana de uma reunião sobre política monetária desde setembro do ano passado, mostram dados compilados pela Bloomberg. Economistas de ambos os bancos dizem que os traders descontaram muito abruptamente a intenção de alta das autoridades depois que o Fed manteve os juros inalterados por mais tempo do que o esperado.

"Não existe um momento perfeito - sempre haverá algumas incertezas nos dados", disse Laura Rosner, economista sênior do BNP para os EUA em Nova York. "Apesar de muitos choques nos últimos nove meses, que atrasaram o Fed, as contratações continuam sendo robustas. Há uma oportunidade para que o Fed continue normalizando, e acreditamos que ele a aproveitará".

Batalha de vontades

O mercado de títulos e o Fed estão travando uma batalha de vontades sobre a direção dos juros mais de sete anos após o fim da recessão. A credibilidade do banco central está em jogo depois que as autoridades monetárias começaram o ano projetando quatro altas das taxas, após saírem de quase zero em dezembro, mas as deixaram inalteradas várias vezes por causa de circunstâncias econômicas nos EUA e no exterior. Até mesmo no mês passado, a presidente do Fed, Janet Yellen, e o vice-presidente, Stanley Fischer, insinuaram que o banco ainda podia elevar os juros duas vezes neste ano.

O mercado de títulos não acredita. Os traders de futuros precificam uma probabilidade de apenas 22 por cento de o Fed incrementar sua taxa em 0,25 pontos porcentuais na reunião dos dias 20 e 21 de setembro, com base na presunção de que a taxa de juros real estará no meio da nova faixa-alvo do Comitê Federal de Mercado Aberto após o próximo aumento. Essa probabilidade se compara com uma de mais de 40 por cento no fim de agosto.

Os traders reduziram as probabilidades de um aumento depois que os empregadores criaram menos empregos do que o projetado em agosto e que a expansão do setor de serviços desacelerou. Para o Barclays e o BNP, esses dados isolados dão uma ideia falsa da fortaleza do mercado de trabalho em geral, conforme demonstrada pela maior alta trimestral nos dados do mercado de trabalho desde janeiro.

'A mãe de todas as surpresas'

Alguns dealers disseram que um acréscimo de juros em setembro provocaria caos no mercado. Tom Porcelli, da RBC Capital Markets, disse que isso seria "a mãe de todas as surpresas". Steven Ricchiuto, da Mizuho Securities USA, disse que um aumento "seria comparável com a perturbação provocada nos mercados pelo imprudente ajuste do ano passado".

"Os mercados apostam contra isso porque eles acham que o Fed se acovardou durante os últimos nove meses, então por que ele não faria isso de novo?", disse Rosner, do BNP. "Mas podemos atribuir a decisão do Fed de pausar a choques muito específicos que estavam chegando de todos os lados. Agora estamos aqui, a poeira baixou, os riscos diminuíram e há dados decentes. Então, se o Fed está sob um regime de aumentos graduais, por que não deveria continuar?".

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