Bolsa de Londres vê 100.000 vagas ameaçadas por nova liquidação

Will Hadfield e Caroline Hyde

(Bloomberg) -- Pelo menos 100.000 empregos estariam ameaçados se o processo de liquidação de determinados contratos financeiros sair do Reino Unido, segundo o CEO da London Stock Exchange, Xavier Rolet.

"Estimamos, conservadoramente, que no mínimo 100.000 empregos nas funções de gestão de risco, compliance, middle office e back office - aliás, não só em Londres, mas em todo o país - estão implicados no suporte a esse negócio e claramente podem estar em risco", afirmou Rolet em entrevista à Bloomberg TV na sexta-feira. "Mas a questão é que há pouquíssimos centros financeiros no mundo que podem acomodar esse negócio global."

Os comentários de Rolet vieram após executivos de bancos de investimento globais em Londres afirmarem que esperam que França e Alemanha prevaleçam na disputa em torno da liquidação diária de US$ 570 bilhões de derivativos denominados em euros. Pessoas com conhecimento da situação dizem que as instituições estão fazendo planos para lidar com as consequências disso.

As câmaras de compensação trabalham para impedir que um calote cause uma reação em espiral descontrolada, por meio da manutenção de garantias e do monitoramento de riscos. As autoridades reguladoras veem nas câmaras de compensação um meio importante para prevenir outra crise financeira, de modo que a presença dessas entidades no setor financeiro mundial ficou bem mais arraigada nos últimos anos. Políticos europeus como o presidente francês, François Hollande, identificaram a liquidação de contratos como um dos negócios que não terão mais permissão para permanecer no Reino Unido após a saída formal da União Europeia.

O comandante da bolsa londrina acrescentou que Nova York ? e não um dos centros financeiros da Europa ? seria provavelmente a cidade mais beneficiada pela saída de negócios de Londres.

"É possível que a coisa toda seja movida? É claro que é", disse Rolet. "A London Stock Exchange via London Clearing House opera um negócio de liquidação muito bem sucedido e atualmente tem licença para operar, por exemplo, no que eu acredito que seria francamente a única alternativa lógica a Londres se isso se concretizar: o mercado de Nova York."

A LSE é a acionista majoritária da LCH, a maior câmara de compensação de derivativos vinculados a taxas de juros. Aproximadamente 700 pessoas são funcionárias diretas das câmaras de compensação de Londres, sendo mais de 500 da LCH.

Ativos sob responsabilidade das câmaras de compensação já foram transferidos antes. A Intercontinental Exchange comprou duas bolsas de derivativos em Londres e depois transferiu a operação de liquidação para outra entidade própria. Anteriormente, os contratos de derivativos eram liquidados pela LCH.

"A possibilidade física da mudança e suas consequências econômicas são bastante complexas", disse Rolet. "A noção de separar, por exemplo, a liquidação de swaps de juros denominados em euros dos swaps de juros denominados em dólares, simplesmente não faz qualquer sentido economicamente e provavelmente não pode ser lograda, mesmo do ponto de vista regulatório ou legal."

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