Elon Musk quer nos transformar em espécie multiplanetária

Dana Hull

(Bloomberg) -- Quando Elon Musk subir ao palco do 67º Congresso Internacional de Astronáutica, em Guadalajara, no México, em 27 de setembro, não será para rediscutir preocupações terrenas, como o acidente fatal causado pelo piloto automático de um Tesla ou uma proposta de fusão que foi mal recebida. Em vez disso, o empreendedor dos setores espacial e de carros elétricos falará sobre a realização de seu sonho de infância: viajar a Marte.

A ideia básica do discurso de Musk, com o título "Transformar os humanos em uma espécie multiplanetária", abordará os desafios técnicos e "as possíveis arquiteturas para colonizar o Planeta Vermelho", segundo os organizadores. Tradução: foguetes enormes, grandes naves espaciais. Ninguém está esperando pelo evento tão ansiosamente quanto Musk, que fundou a Space Exploration Technologies, sua empresa de lançamento de foguetes, há 14 anos com o objetivo expresso de levar os seres humanos para viver e trabalhar em outros planetas.

"Acho que vai parecer bastante maluco", disse Musk, em referência ao discurso sobre Marte, no Centro Espacial Kennedy da Nasa, em abril passado. Ele estava lá para comemorar outro sucesso que parece uma loucura: lançar um foguete ao espaço e depois pousar o lançador, com 14 andares de altura, em um barco drone flutuante no Oceano Atlântico. A SpaceX conseguiu repetir o feito mais três vezes.

O discurso sobre Marte será uma distração bem vinda para um homem em dificuldades nos últimos tempos. A Tesla, que fabrica veículos elétricos e produtos de armazenamento de energia, está torrando dinheiro na corrida para construir uma enorme fábrica de baterias no deserto de Nevada e para iniciar a venda do carro popular Model 3 no ano que vem. A tentativa da Tesla de adquirir a SolarCity, uma instaladora de painéis solares sobrecarregada de dívidas, está gerando polêmica devido à preocupação com a governança corporativa. Musk é CEO da Tesla e presidente do conselho e maior acionista da SolarCity. O investidor Jim Chanos chamou a proposta de fusão, atualmente avaliada em cerca de US$ 2 bilhões em uma transação apenas de ações, de "insolvência ambulante".

Deixando de lado os problemas terrenos, viajar a Marte deixou de ser coisa de ficção científica. A Nasa tem seu próprio programa "Journey to Mars", que prevê o envio de astronautas americanos ao Planeta Vermelho na década de 2030. A empresa Lockheed Martin tem um contrato com a Nasa para construir uma estação espacial na órbita de Marte. E a candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, disse que, se for eleita, uma das metas de seu governo será "levar adiante nossa capacidade de transformar a exploração humana de Marte em realidade".

A SpaceX planeja enviar uma aeronave não-tripulada a Marte já em 2018. Os voos continuariam a cada dois anos, aproximadamente, e se tudo sair conforme o planejado, culminariam com a primeira missão humana a Marte em 2025, disse Musk ao jornal Washington Post em junho.

"Marte é o planeta mais próximo no qual, sendo realistas, podemos nos estabelecer", disse Robert Zubrin, autor de "The Case for Mars" e fundador da Mars Society, da qual Musk foi conselheiro. "Musk não quer apenas fama ou dinheiro. Ele quer a glória eterna das grandes façanhas".

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