Empresas argentinas seguram emissões de títulos

Andres R. Martinez e Carolina Millan

(Bloomberg) -- Empresas de todo o mundo estão vendendo títulos em ritmo recorde, mas emissoras da Argentina não estão com pressa, nem mesmo após o fim do exílio do país dos mercados internacionais.

O motivo do pé no freio? Os executivos querem ter certeza de que aprenderam com os erros do passado, como o acúmulo de crédito barato que acabou gerando uma crise de dívida no Brasil, disse Marcelo Mindlin, presidente do conselho da Pampa Energía, em entrevista na sede da Bloomberg em 20 de setembro.

"Após 10 anos de desconexão ou isolamento do mundo, as empresas não estão prontas", disse Mindlin. "É preciso tempo para que as corporações se acostumem ao novo cenário."

As taxas para captação por empresas argentinas estão no menor nível em décadas depois que o governo encerrou em abril uma batalha com detentores de títulos que durou 15 anos. Isso reabriu as portas para os mercados internacionais de dívida, permitindo que a Argentina fizesse a maior colocação em um só dia por um país emergente.

Mas as empresas argentinas não estão seguindo o exemplo do governo, para desgosto dos investidores famintos por rendimento.

Tirando vantagem

"Muitas corporações da Argentina não estão realmente tirando vantagem da queda dos rendimentos", disse Ray Zucaro, diretor de investimento da RVX Asset Management, com sede em Aventura, na Flórida. "Comparativamente, temos visto muito mais emissões de dívidas de governos regionais do que corporativas.

Como investidor, estou cansado dos títulos provinciais e municipais, especialmente depois que comecei a ver algumas das províncias mais descontroladas no mercado. Vamos lá, tragam empresas reais agora".

As empresas argentinas têm 30 por cento menos alavancagem líquida do que seus pares no Brasil, mas a emissão por parte das companhias argentinas cresceu em ritmo mais lento do que no restante da América Latina neste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Por ora, as empresas preferem ter paciência, segundo Miguel Ángel Gutiérrez, presidente do conselho da maior petrolífera do país, a YPF.

"Temos que ser conservadores", disse Gutiérrez em entrevista em 21 de setembro. "O país está passando por ajustes, nossa indústria está passando por ajustes. A esperança é que, no dia em que a gente queira fazer algo mais agressivo, seja possível capturar taxas de juros melhores."

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