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Moeda desvalorizada deixa de ser elixir para economia

Susanne Barton e Chikako Mogi

(Bloomberg) -- A moeda mais desvalorizada, antes a cura para todos os males econômicos, deixou de funcionar tão bem.

No Japão, o iene desabou 28% no período de dois anos até 2014, mas as exportações líquidas para os EUA mesmo assim caíram 10%.

No Reino Unido, o tombo da libra esterlina de 19% no período de dois anos até 2009 não impediu a queda de 26% nos embarques de produtos para os EUA.

De fato, desde a virada do século, a capacidade das variações cambiais de afetar os fluxos comerciais e o crescimento nas principais economias foi reduzida em mais da metade, de acordo com o Goldman Sachs Group.

Essas conclusões sugerem que moedas mais fracas não darão tanta ajuda a regiões como Japão e Reino Unido, que contam com políticas de dinheiro fácil sem precedentes para estimular crescimento e inflação.

Por outro lado, os dados também sugerem exagero nas preocupações em relação a um cenário em que a alta de juros nos EUA empurra investidores para o dólar e prejudica a recuperação da economia local.

Uma mudança na estrutura de comércio internacional das economias avançadas --a direção de bens e serviços com menor elasticidade de preços-- e os efeitos prolongados da crise financeira diminuíram a sensibilidade dos volumes comerciais às taxas de câmbio globais, de acordo com analistas do Goldman Sachs liderados por Jari Stehn.

"Nos bancos centrais, sim, eles estão prestando atenção nos níveis cambiais, mas as economias de mercado mais desenvolvidas não estão reagindo a políticas de desvalorização cambial como costumavam fazer", disse Philippe Bonnefoy, o fundador do fundo de hedge Eleuthera Capital, com sede na Suíça. "O impacto foi diluído."

Os bancos centrais ao redor do mundo baixaram suas taxas básicas de juros 667 vezes desde 2008, segundo o Bank of America. Nesse intervalo, as 10 principais moedas negociadas em relação ao dólar caíram 14%, mas as economias do Grupo dos Oito só cresceram 1% na média, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Desde o final da década de 1990, uma depreciação com ajuste para inflação de 10% nas moedas de 23 economias avançadas aumentou as exportações líquidas em apenas 0,6% do Produto Interno Bruto, segundo o Goldman Sachs, comparado a um ganho de 1,3% do PIB nas duas décadas anteriores.

O comércio dos EUA com todas as nações recuou de US$ 3,9 trilhões em 2014 para US$ 3,7 trilhões em 2015, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

"Os mercados de câmbio mostraram alguns movimentos exagerados nos últimos anos e a maioria dos modelos macroeconômicos sugere que esses movimentos devem ter grandes efeitos sobre o crescimento", escreveu Stehn em relatório enviado a clientes.

"A experiência recente coloca algumas dúvidas sobre esta visão. As exportações se tornaram menos sensíveis a variações cambiais ao longo do tempo, enquanto as importações não mostram resposta significativa à taxa de câmbio."

O Japão intensificou o uso de ferramentas monetárias não convencionais, incluindo taxas de juros negativas e flexibilização quantitativa, na tentativa de estimular a economia desde a eleição do primeiro-ministro Shinzo Abe, em 2012.

O banco central calibrou as políticas de estímulo na semana passada, tendo como meta o formato da curva dos juros pagos pelos títulos públicos, em vez de focar na expansão da oferta monetária. Ainda assim, a previsão é que a economia japonesa cresça apenas 0,6% em 2016.

Além disso, o iene avançou 20% em relação ao dólar neste ano, mostrando que os efeitos econômicos da depreciação cambial estão diminuindo, assim como a capacidade do banco central japonês de enfraquecer sua moeda.

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