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Como fabricar smartphones sem componentes de zonas de conflito

Tom Wilson

(Bloomberg) -- Em uma colina de aspecto lunar que fica na região leste da República Democrática do Congo, milhares de homens e mulheres extraem da encosta um mineral cinzento e pesado usando picaretas, o lavam com pás em córregos artificiais e o transportam ladeira abaixo em sacas de 50 quilos.

São mineiros independentes, do tipo que as grandes empresas costumam expulsar quando obtêm uma licença para explorar minerais na África. Aqui, no entanto, esses trabalhadores são a imagem de uma nova colaboração que permite que tanto os mineiros quanto a empresa lucrem -- além de provar para empresas como Apple e Samsung que o que eles extraem não financia o conflito armado.

À frente desta iniciativa está Ben Mwangachuchu, 56, que se formou na Universidade de Notre Dame e voltou de Washington, para tentar fazer com que as coisas funcionem em um país ainda dividido pelo conflito entre facções rivais. A situação é difícil, porque ele tem que lidar com os preços baixos e uma enxurrada de contrabando, diz ele. Mas esse sistema está lentamente valendo a pena e ele está começando a reinvestir os lucros em mecanização, que o ajudará a melhorar a eficiência e a dobrar a receita.

"Esse foi o único modo pragmático que pudemos conceber neste ambiente pós-conflito", disse Mwangachuchu, diretor administrativo da Société Minière de Bisunzu (SMB). Em um dia de calor no fim de agosto, ele se destacava com um blazer quadriculado e óculos de sol, conversando animadamente na colina com os mineiros, que trajavam combinações ecléticas de roupas de segunda mão.

O prêmio é o tântalo, um metal escasso extraído do coltan que é utilizado no iPhone da Apple e em praticamente todos os smartphones do planeta. O tântalo é um componente fundamental em tecnologias de precisão nos setores de aviação, automóveis, armamentos e eletrônicos, inclusive nos produtos fabricados por empresas como Samsung e Huawei Technologies.

Há três anos, Mwangachuchu negociou um acordo com uma cooperativa chamada Cooperamma para que seus escavadores pudessem minerar partes do campo em Rubaya, noroeste de Goma, a capital da província. Com uma condição: eles devem vender o mineral exclusivamente à SMB. Isso possibilita que a empresa monitore o mineral da mina ao porto, garantindo que ele não tenha sido manchado pelo conflito.

"A coabitação entre os mineiros informais e as empresas de mineração industrial é do interesse de todos", disse Robert Seninga, presidente da cooperativa Cooperamma, em entrevista por telefone, de Goma. "O acordo está levando mais segurança física e econômica para a região."

O modelo de cooperativa pode melhorar as condições de trabalho para os mineiros, pode possibilitar uma mecanização gradual e deveria ser seguido por outras empresas, disse Greg Mthembu-Salter, ex-integrante do Grupo de Especialistas das Nações Unidas.

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