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Lucrativos jogos de azar causam uma morte por dia na Austrália

Jason Scott e Michael Heath

(Bloomberg) -- Após sofrer com o vício em jogos de azar durante 13 anos, Kate Seselja deu um basta. Ela, que tem 37 anos e seis filhos, cogitou bater o carro em uma árvore após perder mais de 500.000 dólares australianos (US$ 383.000) jogando em máquinas caça-níqueis.

"No começo era divertido", disse Seselja, que procurou ajuda após quase se somar aos 400 australianos com problemas relacionados ao jogo que, estima-se, cometem suicídio a cada ano. "Isso está bastante normalizado na Austrália. Há máquinas em praticamente todas as esquinas."

Mais da metade dos 23 bilhões de dólares australianos apostados pela população australiana no ano passado foi engolida pelos caça-níqueis. Enquanto a maioria dos países restringe os jogos de azar aos cassinos e às casas de apostas, na Austrália eles estão permitidos em pubs e clubes esportivos e de veteranos. Com menos de meio por cento da população mundial, o país detém um quinto das máquinas caça-níqueis do mundo.

Há pouca vontade de mudança política: o setor é um grande doador a parlamentares, inclusive da base aliada do primeiro-ministro Malcolm Turnbull, e as tentativas de reforma anteriores fracassaram. Os estados e territórios australianos coletaram 5,8 bilhões de dólares australianos (US$ 4,4 bilhões) em impostos com apostas no período de um ano até junho de 2015, o que diminui a pressão sobre o governo federal, que governa com uma frágil nota de crédito AAA e um déficit orçamentário piorado pela inércia e por impasses políticos.

Embora a reeleição em julho de Nick Xenophon, político independente que se opõe aos jogos de azar, para o Senado -- com alguns senadores de seu partido a reboque --, tenha reacendido a discussão sobre uma reforma, ele parece desanimado.

"Os donos de hotéis e clubes são lobistas poderosos e os maiores viciados no jogo são os governos estaduais", disse Xenophon, acrescentando que os parlamentares australianos têm "pavor" da indústria do jogo. "O governo federal poderia deixar de depender deles, mas não parece que isso vá acontecer."

É difícil acabar com um hábito de décadas. Os caça-níqueis começaram a se proliferar na Austrália nos anos 1950, quando foram legalizados em Nova Gales do Sul, o estado mais populoso do país, onde fica Sidney. A evolução deles, de "bandidos de um braço" desajeitados para sofisticados jogos eletrônicos de entretenimento, encorajou a adoção por outros estados no início dos anos 1990, quando os governos buscavam fontes de receita após uma recessão.

Cerca de 200.000 unidades depois, as máquinas, chamadas no país de "pokies", são o principal motor da indústria de apostas da Austrália -- mas isso gera um custo. Cerca de um em cada seis australianos que joga com regularidade tem uma dependência séria e perde uma média de cerca de 21.000 dólares australianos por ano, segundo dados do governo. O custo social dos jogos de azar na comunidade é estimado em pelo menos 4,7 bilhões de dólares australianos por ano.

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