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Startup foca no globo ocular para melhorar realidade virtual

Pavel Alpeyev e Yuji Nakamura

(Bloomberg) -- A realidade virtual está prestes a se popularizar, mas uma startup japonesa aposta que essa tecnologia só será bem-sucedida se conseguir decifrar uma peça fundamental do quebra-cabeça: o globo ocular dos seres humanos.

A Fove está lançando os primeiros óculos de realidade virtual disponíveis comercialmente que são equipados com pequenas câmeras de infravermelho para acompanhar o movimento do olho. Ao monitorar a íris humana, o objetivo do aparelho é reduzir a náusea provocada pelo movimento e aprimorar o desempenho dos gráficos e das experiências sociais ao possibilitar o contato visual virtual, afirma Yuka Kojima, fundadora e CEO da Fove.

"Queremos ser a empresa que resolverá os problemas não solucionados da realidade virtual", disse Kojima. "O objetivo imediato por enquanto é colocar a maior quantidade possível de headsets nas mãos dos desenvolvedores".

Embora a realidade virtual possa transportar o usuário a um mundo diferente, o monitoramento ocular oferece uma experiência mais profunda, porque os olhos revelam a intenção, as reações e uma série de outros sinais emocionais. Por exemplo, uma pessoa que está jogando basquete em um videogame poderia enganar um oponente com um passe sem olhar ou um jogo poderia surpreender um jogador ao inserir uma ameaça fora do campo de visão.

Kojima, 29, tem certeza de que essa tecnologia se tornará comum nos aparelhos de realidade virtual. Isso também explica por que outras empresas estão entrando no jogo, como a Eyefluence, financiada pelo fundador da LeapPad, Jim Marggraff, e a Eye Tribe, que fabrica um monitor ocular para computadores que custa US$ 200. A SensoMotoric Instruments e a Tobii também estão explorando usos da realidade virtual. A Qualcomm anunciou no início deste mês um projeto de referência para um headset com monitoramento ocular que utiliza seu chip Snapdragon.

Kojima fundou sua startup em maio de 2014, pouco depois do Facebook revelar a aquisição, por US$ 2 bilhões, da fabricante de headset de realidade virtual Oculus. A Fove realizou uma campanha no Kickstarter, quando captou US$ 500.000, e acabou recebendo um financiamento de US$ 13 milhões de investidores como a Samsung Electronics, a fabricante de jogos Colopl, a fabricante de eletrônicos Foxconn Technology e Taizo Son, o irmão mais novo do fundador da SoftBank Group, Masayoshi Son.

Uma versão inicial dos óculos de realidade virtual com monitoramento ocular da Fove poderá ser encomendada por desenvolvedores e entusiastas a partir de 2 de novembro, e o headset custará mais ou menos o mesmo que o Oculus do Facebook, que sai por US$ 600, disse Kojima. Ela argumenta que a tecnologia de sua startup ajudará a diferenciar seu aparelho da primeira safra de headsets rivais do Oculus, da Sony e da HTC. Kojima, ex-produtora de jogos da Sony, acredita que está um a dois anos à frente da concorrência.

"Acredito que todas as empresas de headsets de ponta estão analisando os benefícios do monitoramento ocular para a próxima geração de headsets de realidade virtual", disse Piers Harding-Rolls, diretor de pesquisa sobre jogos da IHS Markit. "É provável que a interação e a imersão sejam as áreas onde o monitoramento ocular poderá causar mais impacto."

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